Ruas vazias, comércio fechado. Quem anda pela capital paranaense em uma terça-feira de Carnaval parece estar em uma cidade fantasma. ‘‘Ah, feriado é sempre assim. O povo coloca o pé na estrada mesmo’’, atesta o aposentado Domingos Valdir, 63 anos. E para quem ficou na cidade, qual terá sido a diversão encontrada?
  No Parque Barigüi, algumas pessoas aproveitavam o feriado para caminhar, brincar e soltar pipa com as crianças. Um passeio de bicicleta, de patins ou até uma partida de frescobol também foi uma boa pedida. Tranqüilidade excessiva, segundo os vendedores que passaram boa parte do dia de braços cruzados. ‘‘Só venho porque não tem escolha, mesmo. Isso aqui fica limpo, cai uns 80% o movimento’’, revela o pipoqueiro Joacir Martins. Situação idêntica na barraca de caldo de cana. Rosildo Dantas tem ponto no parque há 13 anos. E não tem jeito: no feriado o povo sempre desaparece. ‘‘Não tem o que fazer, é vir aqui e esperar algum turista perdido e, se chover, aí tem que voltar para casa’’, avisa, já olhando desconfiado para o céu, que no começo da tarde ameaçava fechar.
  Deitado na grama do parque, o empresário Rafael Bonatto queria ter desfrutado os dias de folia nas areias catarinenses. Mas o trabalho foi o ‘‘detalhe’’ que alterou os planos. ‘‘Agora é apelar para o cinema, ficar aqui um pouco com a família. Só dá para descansar, mesmo’’, prevê. A farmacêutica Isabel Araújo, 31 anos, também não pôde viajar por causa do trabalho. E pior. Estava ‘‘de castigo’’ em plena terça-feira de Carnaval. ‘‘Fazer o quê, né? Escolhi uma profissão que faz plantão em feriado, agora tem que agüentar’’, brinca Isabel, que, em meio aos risos, prescreve ‘‘bom humor’’ como único remédio indicado para combater o desânimo de quem está na mesma situação. ‘‘Sabe quantas pessoas eu atendi hoje?
Três! Tem que rir para não chorar’’, diverte-se.
  Mas e se alguém escolheu Curitiba para aproveitar o feriadão? ‘‘Veio para o lugar errado’’, brinca o estudante Pedro Brandalize, 16 anos. Os amigos desceram para Florianópolis (SC) e só restou a companhia de uma amiga, a também estudante Tâmara Novitski, 15 anos. Entediados, decidiram gastar algumas horas no Parque Barigüi. ‘‘Não tem muita opção, o jeito é ficar na Internet ou dormir. Mas chega uma hora que cansa, dá vontade de sair de casa, aí é preciso inventar alguma coisa para fazer’’, explica Tâmara, que aproveitou a terça-feira para aprender a andar de skate. ‘‘Eu preferia ter viajado para praia, mas fazer o quê?’’, resigna-se Pedro.
  Se ele acha Curitiba ‘‘um erro’’ no feriado, a opinião do comerciante Welliton Natividade é diferente. O mineiro de Divinópolis diz que gosta de um agito carnavalesco, mas que este ano preferiu fugir dos grandes centros, como Rio de Janeiro, Salvador e as praias de Santa Catarina. ‘‘Queria um lugar bonito, com ar puro, sossego. Aí vim para cᒒ, revela, em meio à uma sessão de fotos com a família no Jardim Botânico.
  Fugir do tumulto, dos grandes congestionamentos nas estradas e da confusão das praias também foi a escolha do profissional liberal Ricardo Ardigo. ‘‘Há 15 anos nós passamos essas datas com a família, em Itajaí ou Bombinhas. Esse ano decidimos ficar por aqui’’, conta. Ao lado da esposa, a contabilista Silvana Ardigo, o casal optou pelo cinema de um dos shoppings da cidade. ‘‘O trânsito congestionado é o que mais cansa, então mudamos de idéia neste Carnaval’’, explica Silvana. E a escolha parece ter agradado. ‘‘Daqui pra frente vou sempre fazer o movimento contrário. Eles vão pra lá, eu fico aqui. E no próximo fim de semana, quando eles já voltaram, eu vou pra lᒒ,
brinca Ricardo.

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