Diferente de outros países, onde os museus estão no primeiro plano das opções de turismo, no Brasil esses espaços ainda são vistos com certa reserva por seus visitantes. Eles são considerados como locais onde se guardam coisas antigas e valiosas, onde não se pode tocar em nada. E, pior, acessíveis apenas àqueles que detêm um alto nível de cultura e sensibilidade, capazes de entender o que lhes é apresentado. Ou seja, são vistos muito mais como uma atividade educativa -leia-se: enfadonha- do que de lazer.
Para tentar mudar essa percepção, o Instituto Brasileiro de Museus trouxe o tema "Museus e Turismo -viaje no tempo" para a Semana Nacional, comemorada entre os dias 17 e 23 de maio. A intenção, com isso, é estimular a entrada desses estabelecimentos nos roteiros turísticos. A equação é simples e duplamente vantajosa: por um lado, o turismo contribui para o desenvolvimento e para a melhor qualificação dos museus, que, por sua vez, contribuem para práticas turísticas culturalmente qualificadas.
Dessa forma, foram programados, para esta semana, encontros, palestras e visitas a museus com profissionais e instituições de ensino da área de turismo. O intuito é de sensibilizar esse público para as possibilidades do turismo cultural.
Mesmo antes da semana terminar, alguns resultados já começam a aparecer. Segundo o diretor do Museu Paranaense, Euclides Marchi, do diálogo com alguns turismólogos surgiram ideias para atrair o público que podem se tornar realidade. Uma delas é realizar concertos, aproveitando para isso a presença dos dois pianos mais antigos do Paraná que pertencem ao acervo do museu. Outra sugestão foi a realização de sessões de cinema para assistir a filmes que também fazem parte do acervo.
Outra novidade é Susian Ribeiro, 22 anos, aluna do curso de guia regional de turismo de uma escola estadual, que começou esta semana a fazer um estágio voluntário no Museu Paranaense. "O guia tem o poder de tornar o museu uma coisa viva", avalia a jovem, que pretende se especializar nesse gênero. Além dela, segundo Marchi, outras quatro pessoas fizeram ficha para trabalhar como guias no museu. "O turismo cultural está entrando no currículo dos cursos", observa.
Esse, no entanto, é o primeiro passo de uma longa jornada. De acordo com a coordenadora do Sistema Estadual de Museus (Cosem), da Secretaria de Estado da Cultura, Eliana Moro, outros avanços ainda devem ser feitos para tornar os estabelecimentos um programa mais atrativo. "Notamos que nosso público ainda não está habituado a trabalhar com o turismo cultural", diz. Para um futuro próximo, ela prevê a criação de um guia de bolso dos museus, a tradução das indicações das obras para o inglês e o espanhol e a divulgação mais ativa desse tipo de programa junto aos hotéis.

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