Chova ou faça sol. Por volta das 7h30, o Calçadão de Londrina já estará tomado por pessoas de diferentes origens, credos, características físicas, sociais e culturais. É provável que algumas delas nem se lembrem ainda que a cidade está comemorando aniversário de emancipação política. Hoje, 10 de dezembro de 2001, o Calçadão será um centro fervilhante de gente. Transações pequenas e grandes serão fechadas neste dia dentro dos escritórios e das lojas próximas. É certeza: alguém estará fechando a compra de um novo fogão, um aparelho de som, uma TV de 29 polegadas. Pelo menos um novo namoro, no horário do almoço, também deverá começar num local de descanso ou na mesa de uma lanchonete da região. Um filho ligará para a mãe, de um telefone público, para avisar que almoçará no centro.

O Calçadão borbulhará nesta segunda-feira. Às 7h30, a balconista já estará calculando quantas vendas terá que fazer no dia para fechar sua meta. O dono do restaurante também deverá, já de manhã, fechar a previsão de quantos almoços sua equipe de cozinheiros terá que preparar. O garçon imaginará, às 8 horas, quantas caminhadas fará do balcão até as mesas para servir os clientes.

Uma mulher namorará as vitrinas e, em algum lugar, uma decoradora estará vestindo, à vista das pessoas que passam, manequins com os últimos lançamentos. Roupas, sapatos, brinquedos, perfumes e jóias não passarão despercebidas por pessoas que procuram novidades, mesmo que seja só para olhar. Consumidores usarão o direito de pechinchar. Vendedores usarão o privilégio de oferecer um negócio de ocasião.

Até às 22 horas, quando os catadores de papel disputam embalagens, o Calçadão refletirá o centro nervoso de Londrina, onde pessoas encontram pessoas. Para namorar, vender, comprar, conversar, viver. E, depois, junto com toda a cidade, o Calçadão dormirá, já com nova idade. (Walter Ogama)

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