Um desafio para revelar a tolerância
Confessional sim, mas sem ser catequético, o ensino de Religião em alguns colégios de orientação religiosa enfrenta o desafio de apresentar a revelação da tolerância já que as instituições precisam conviver com diferentes interpretações da fé.
''Conforme o mundo foi se desenvolvendo, as pessoas ficaram bitoladas em estudar, ter conhecimento. Com o ensino religioso, você não fica só centrado no conhecimento, mas se torna uma pessoa mais completa'', destaca Gabriel Bernardo da Silva, 17 anos, aluno do terceiro ano do ensino médio do Colégio Marista.
Com a afirmação o rapaz ilustra essa tendência das escolas confessionais, que silenciam, na medida do possível, o discurso catequético para que se ouça a diversidade.
Para o pai do estudante, o bancário Donizetti Claudio da Silva, 42 anos, a decisão de matricular o filho em uma escola confessional levou em consideração também a oportunidade de uma formação religiosa semelhante à oferecida em casa.
''Vejo a religião como uma questão fundamental para a integridade e a formação do caráter do estudante. Sou partidário de que os estudantes que têm uma consciência ética e cristã podem ter um futuro melhor e com uma capacidade de sobrevivência maior'', comenta Donizetti.
Coordenadora da Área de Ensino Religioso do Colégio Marista, Josmari Migliorini diz que muitos pais ainda esperam que o ensino seja catequético, mas que a pós-modernidade calçou um novo direcionamento, em que além de cristão, o homem deve receber uma formação que o transforme em um cidadão virtuoso.
A coordenadora concorda que o ensino religioso aponta para uma disciplina considerada do futuro, com um raio direcionado à tolerância.
''Nos anos 60, a catequese foi muito enraizada no colégio, mas passamos por uma reestruturação grande. Temos muitos pais que ainda esperam que a gente dê catequese, mas priorizamos uma educação em que falamos também sobre o respeito ao outro, criando uma cultura de paz. A modernidade tem exigido uma postura diferente das escolas'', afirma Josmari, explicando que as aulas de religião acompanham os estudantes desde as primeiras séries até o ensino médio.
Com cerca de 1.200, alunos, o Colégio Adventista também oferece aulas de Religião a partir das primeiras séries, incluindo nesse contexto material pedagógico próprio.
O pastor Rodrigo Fritoli, que ministra a disciplina no Adventista, lembra que apenas 20% dos alunos são adventistas, mas que todos os estudantes participam da aula de Religião, sendo submetidos a uma avaliação.
''Trabalhamos com uma abordagem antropológica, mas não nos restringimos apenas a isso. O ensino religioso na Escola Adventista faz parte da visão geral do que é educação. Procuramos educar o aluno de maneira integral para que desenvolva habilidades físicas, mentais e espirituais, que tem a ver com uma educação equilibrada''. (F.L.)





