Um concurso renova magia de presépios
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sexta-feira, 20 de dezembro de 1996
Danielle Milarski<br> Especial para a Viva 
O 5º Concurso Nacional de Presépios, patrocinado pelo Boticário e realizado semana passada, em Curitiba, reuniu 511 trabalhos, sendo que 261 em miniatura, e provou que a reconstituição da sagrada família, da manjedoura e dos reis magos ainda pode ser feita de uma forma bem criativa e original.
Artesãos de todo o Brasil e também do Paraguai, Bolívia e Peru utilizaram materiais como grampo de roupa, giz, mecanismos de relógio, papel, bexiga, lâmpadas e até papel de bala para confeccionar os presépios.
Neusa Lopes, 37 anos, de Pranchita, no Paraná, ficou em primeiro lugar com um presépio de 1m32cm e 97cm de altura feito com talha de trigo. A inspiração veio através da janela da sala onde trabalha. Sou chefe do Departamento de Cultura da Prefeitura e da minha janela vejo as plantações de trigo. Sempre achei linda aquela cor dourada e decidi representar no meu presépio o sustento do homem. A manjedoura é um pedaço de pão, explica.
A artesã demorou seis meses para fazer o presépio, que tem 17 personagens e 13 peças. A recompensa foi o prêmio de R$ 2.500,00. É a terceira vez que consigo o primeiro lugar. É gratigicante ter o trabalho reconhecido, mas fico um pouco constrangida, afirma.
No concurso, foram premiados os 10 primeiros colocados e, na categoria de mini-presépios, os dois melhores trabalhos também foram reconhecidos. Em primeiro lugar ficou o presépio da artista Mari Piekas, que foi pintado dentro da casca de um ovo. Já Antonio Bernardino Filho surpreendeu a todos com a sagrada família esculpida em um caroço de pêssego.
A mostra de presépios e a 1º Exposição Internacional de Mini-presépios podem ser vistas até o dia 06 de janeiro no Memorial da Cidade de Curitiba.
Áurea Diniz, 36 anos, de Castro, no Paraná, faz presépios há três anos junto com a irmã. As duas não participam de concursos, mas trabalham com o artesanato para sobreviver. De acordo com Áurea, elas vendem presépios e também anjinhos, santos e baianas para lojas e turistas de Ponta Grossa, Curitiba e São Paulo. Já vendemos até para padres que levaram os nossos produtos para dar de presente a amigos italianos, orgulha-se.
Segundo a artesã, este ano a venda foi de 500 peças. Os presépios, que são feitos de argila, custam R$ 30,00 e R$ 35,00, dependendo do tamanho. Não dá muito dinheiro. Dá só para sobreviver, e bem apertadinho, desabafa.
A artesã Ester Penner, 61 anos, da Colônia Witmarsum, no município de Palmeira, no Paraná, concorda com Áurea. Já tivemos épocas melhores. O pessoal olha, acha bonito, mas nem sempre compra. Parece que ninguém tem dinheiro, reclama.


