Um canteiro de encher os olhos
PUBLICAÇÃO
sábado, 08 de maio de 2004
Silvana Leão<br>Reportagem Local 
Um dia, há aproximadamente oito anos, Alcides Cauzino, 66 anos, resolveu que num canteiro onde só tinha capim, ia plantar rosas. A idéia agradou aos pesquisadores da Estação Experimental do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) em Londrina, onde ele trabalha há 23 anos, e o canteiro que no início era ocupado por apenas algumas roseiras, hoje contém aproximadamente 500 pés, dos mais variados tipos e cores. Um verdadeiro colírio para os olhos.
A função de seu Alcides no Iapar é cuidar do viveiro de fruticultura. Mas sempre que tem uma ''folguinha'' lá está ele, podando, cuidando dos enxertos, colocando adubo, tentando descobrir uma variedade que ainda não tem. ''Faz tempo que não descubro um tipo diferente'', conta, mostrando num livro a variedade que sonha em conseguir: a rosa de pétalas azuis.
No grande canteiro que nasceu em meio às estufas da Estação, convivem, todas majestosas, variedades brancas, vermelhas, cor-de-rosa, alaranjadas, mescladas, amarelas. Seu Alcides garante que não tem uma de sua preferência, mas faz questão de mostrar uma vermelho rubro, com perfume semelhante ao da erva cidreira.
A paixão pelas rosas é tanta que ele não as esquece nem nas férias. ''Não dá para abandonar, elas precisam de cuidado constante. Já perdi as contas de quantas vezes vim aqui no final de semana'', revela. Ele explica que nunca fez curso para aprender a lidar com a planta ou para fazer os enxertos que dão origem às belas flores. ''Para não gastar muito, eu vou até as floriculturas e compro as rosas. Daí chego aqui e enxerto nos 'cavalos'. Quase todas eu consegui assim.'' O adubo também é farto na Estação Experimental. ''Casca de café, de amendoim, tudo serve.''
O canteiro virou atração no Iapar. ''O pessoal adora vir aqui olhar'', conta orgulhoso 'o homem das rosas'. Ele só perde a paciência com quem quer fazer bonito com a dedicação alheia. ''Tem gente que chega aqui me pedindo para fazer um buquê para dar para a mulher, para a filha. Outro dia respondi que daí quem ia dar o presente era eu...''


