Ao chegar ao bairro Parolin, próximo ao centro de Curitiba, a equipe de reportagem da Folha de Londrina recebe uma recomendação do presidente da Associação dos Moradores, Edson Pereira Rodrigues, para não avançar pelas vielas que formam a favela. Ele conta que no dia anterior houve uma troca de tiros entre traficantes e a polícia, que deixou os criminosos em estado de alerta. ''Nenhum morador vai falar nada pra vocês hoje'', adverte.
Com um pouco de conversa descobrimos que o Parolin, na verdade, são dois: o da favela, onde mora Edson, e o das belas casas e sobrados, algumas quadras acima. O contraste entre essas duas realidades é evidenciado pela quantidade de equipamentos de segurança que observamos nas residências do ''alto'' Parolin. ''O único comércio que cresceu por aqui é o da cerca elétrica. Os caras moram presos'', observa.
No momento da entrevista Rodrigues estava animado com a construção de casas populares com recursos do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal, que vai dar moradia a 730 pessoas que hoje vivem em barracos. Munido de uma pilha de panfletos, ele prepara um plano de conscientização para a população que será beneficiada pelo projeto. Até que as casas fiquem prontas, as famílias que moram na área serão transferidas para o lado das ''mansões''. ''Tem que ter esse trabalho para evitar o contraste social'', afirma.
Esse contraste, segundo Edson, é mais problemático para a turma das ''mansões'', como ele se refere às casas de alto padrão, que sofrem com problemas de segurança e de desvalorização dos imóveis. Apesar disso, ele é otimista com as obras, que irão abrir mais ruas na região e tornar o bairro mais seguro. ''Ladrão é que nem rato, se não tiver mais beco onde se esconder eles vão embora'', acredita.
A dona de casa Célia Dias Bittar, moradora da parte nobre do bairro, não tem tanto otimismo assim. Há 30 anos residindo ali, ela conta que já foi assaltada mais de dez vezes e contesta a sabedoria popular que diz que os ladrões não agem na mesma área em que residem. ''Os que vêm pedir ajuda são os mesmos que depois assaltam'', afirma ela, que vive em uma casa cercada de grades.
Para a comerciante Tereza de Jesus, que tem uma mercearia próxima à favela, não existe distinção na violência. Com 40 anos de existência, o estabelecimento já foi arrombado mais de dez vezes. ''Na última vez botaram fogo em tudo'', conta. Apesar disso, ela nunca pensou em abandonar o bairro. Seus filhos nasceram e cresceram ali e hoje é o neto que lhe ajuda no balcão. Já conhece os gostos da freguesia, que considera fiel. ''São tudo quase que nem família'', diz ela, que apesar do parentesco só vende à vista.

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