UEL tem programa contra asma
Cláudia Lopes
De Londrina
A mortalidade causada pela asma, conhecida também como bronquite alérgica, vem aumentando nos últimos anos no Brasil. Anualmente, duas mil pessoas morrem anualmente no País, vítimas da doença. Em 1994, foram 0,6 óbitos por 100 mil habitantes em São Paulo e Rio Grande do Sul, para os 0,2 óbitos registrados a cada 100 mil habitantes, nos dois Estados, no início da década de 70, segundo o médico pneumatologista Denison Noronha Freire. Ele coordena um trabalho para melhorar a qualidade de vida de asmáticos no Hospital das Clínicas da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
O projeto, denominado Programa Interdisciplinar de Educação e Controle da Asma, será apresentado na II Jornada Médica, na Saúde 99, durante palestra sobre o assunto, amanhã, às 18 horas, no auditório B, com a presença da médica Ilma Paschoal, da Unicamp. Como a doença não tem cura, um dos objetivos do programa é aumentar o espaço de tempo entre as crises, disse Freire. Segundo ele, em 1996, o governo federal gastou R$ 76 milhões com internação por asma. Isso corresponde a 2,8% do gasto anual com o setor de saúde.
O programa é desenvolvido no HC por seis profissionais médico, fisioterapeuta, psicólogo, assistente social, enfermeiro e nutricionista , que prestam assistência a cerca de 30 pacientes asmáticos adultos. Durante reuniões semanais, orientamos os pacientes sobre o uso de medicamentos e como evitar as crises, além de propor mudanças no comportamento que auxiliem no combate à asma, explica Freire. Ele recomenda que os doentes evitem contato com poeira, animais como gatos e cachorros, além de manter a higiene doméstica. O quarto deve ser arejado e ensolarado e não deve ter cortinas e tapetes, exemplifica.
Existe uma pré-disposição genética para a asma, que acomete 10% da população mundial, relata Freire, que também é professor da UEL. A doença é uma inflamação crônica das vias respiratórias (brônquios e bronquíolos), que ocasiona um estreitamento dos canais por onde passa o oxigênio, causando falta de ar, chiado no peito e tosse.
O trabalho educacional no HC é feito com palestras e apresentação de vídeos, além de acompanhamento individual dos pacientes a cada 30 dias. O programa, iniciado há quatro anos, admite pacientes asmáticos, com mais de 13 anos de idade e não-fumantes, desde que não tenham outras doenças pulmonares. As reuniões acontecem às quartas-feiras, no hospital, das 14 horas às 16 horas.
O programa conta também com a colaboração do laboratório italiano Zambon, por meio da doação de medicamentos para a asma. Também elaboramos uma fita de vídeo e cartilha mostrando a experiência do Hospital das Clínicas da UEL e que serão divulgadas em todo o Brasil, diz o gerente do Zambon em Londrina, Roberto Lima.Trabalho desenvolvido em parceria com o laboratório italiano Zambom busca qualidade de vida para o doente
Arquivo FolhaArquivo FolhaSegundo o médico pneumatologista Denison Noronha Freire (no destaque), que orienta o trabalho na UEL, explica que a doença não tem cura, mas é possível enfrentá-la com medicamentos eficazes, pequenos cuidados em casa e mudança de hábitos





