No final do século 19 e nos primeiros anos do século 20, milhares de ucranianos se estabeleceram no Paraná. Fugiam de tempos difíceis. Parte da terra natal estava sob domínio da Rússia czarista. O ensino da língua ucraniana estava proibido, assim como a impressão de livros e jornais nesse idioma. Em outra parte, na região da Galícia Austríaca, os ucranianos eram dominados pela maioria polonesa.
Em um primeiro momento, os imigrantes estabeleceram-se no Sul e Sudoeste do Estado. Mais tarde, quando a região Norte começou a ser colonizada, diversas famílias ucranianas migraram para o novo ‘‘Eldorado’’. A colônia Warta, hoje distrito de Londrina, foi um dos primeiros destinos. Logo, eles chegariam a Apucarana.
‘‘Um senhor chamado Antônio Ostrenski, ucraniano, funcionário da Companhia de Terras Norte do Paraná, ouviu queixas de alguns patrícios que estavam na colônia Warta, originalmente reservada para poloneses; pois ainda havia uma certa desavença entre as duas nacionalidades. Então, requereu à Companhia uma área para os ucranianos. Nascia a Colônia Nova Ucrânia’’, explica Dorotéa Tchopko, da terceira geração de ucranianos do Norte do Paraná e diretora do Museu Histórico que está sendo criado em Apucarana.
A notícia correu. A colônia atraiu ucranianos de outros lugares. Logo, mais de 100 lotes estavam vendidos. Corria 1936 e a primeira celebração religiosa ortodoxa já acontecia nas terras que mais tarde seriam do município de Apucarana. Antes da primeira missa da Igreja Católica na vila que originaria a cidade, em 1937.
As famílias ucranianas chegaram a 140. Estima-se que metade delas da religião ortodoxa, fato que culminou na construção de uma igreja e um cemitério ortodoxos na colônia, na década de 1940. Mais tarde, na cidade, seria construído outro templo ortodoxo e mais dois católicos de rito ucraniano.
‘‘Na Europa, os ucranianos plantavam trigo, aveia, batatinha... Culturas que gostam do frio. Por isso, colocaram-nos na parte Sul, a mais fria de Apucarana. Mas acontece que o grande negócio era o café e os ucranianos renderam-se a ele, enfrentando dificuldades com a geada, que por aqui, é claro, vinha mais intensa’’, relata Bohdan Stryzakowsky, 74, filho de Stefano Stryzakowsky, aquele que queixou a Ostrensky das dificuldades na Warta.
  Bohdan é um dos poucos descendentes de ucranianos remanescentes na colônia. Mantém conservada a casa que era dos pais e zela pela histórica Igreja Ortodoxa Ucraniana Espírito Santo, na qual cinco famílias da região e visitantes se reúnem uma vez por mês para a missa. Ao lado está um teatro, de 1948, que servia para os ucranianos exercitarem a sua cultura. Foi o primeiro do município. ‘‘Muita gente foi embora. Diversas famílias buscaram os Estados Unidos, Curitiba, São Paulo...’’, lamenta Stryzakowsky.

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