Curitiba - Um passeio de curta duração em áreas de proteção ambiental ou uma estada mais longa na praia podem causar danos ambientais. O simples consumo de uma latinha de refrigerante no litoral, por exemplo, pode significar emissões extras de gases causadores do efeito estufa na atmosfera. O mergulho no lago com o corpo lambuzado de repelente é outro exemplo de atitude que pode causar devastação, mesmo que pequena. Até a permanência de grupos grandes em áreas de proteção, falando alto e rindo tem seu impacto negativo na natureza.
Mas se mesmo de férias o turista está preocupado com a preservação do meio ambiente, algumas regras simples podem ajudá-lo a evitar que seu passeio seja prejudicial para o planeta. Tudo para garantir que no próximo verão a praia, os rios e lagos e toda a fauna e flora que dão um ar especial para o litoral continuem a reservar bons momentos.
A primeira regra de ouro para quem quer preservar é respeitar. ‘‘Não deixe nada jogado na natureza nem leve para casa nada que você tenha encontrado no caminho’’, alerta a bióloga Betina Ortiz Bruel, técnica de conservação ambiental da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS). A norma vale tanto para quem resolveu fazer passeios em refúgios e matas quanto para os que se limitam a aproveitar a praia.
Para Betina, é hora de deixar de lado o hábito de coletar estrelas-do-mar, bolachas-do-mar e outros animais que ficam na areia para tentar levar para casa. ‘‘Tem muita gente que acha bonito e decide pegar para levar para casa, mas depois - como o objeto acaba cheirando mal - descarta tudo’’, diz. ‘‘A postura do turista tem que ser a de observador. Olhar, mas não pegar’’, completa.
O consumo de alimentos e outros produtos no litoral também pode evitar maiores danos ambientais. ‘‘O melhor é optar pelos sucos naturais de frutas da região do que tomar um refrigerante’’, sugere Betina. É que como o refrigerante não é fabricado na região, o transporte dele até o local emite mais gases causadores do efeito estufa que o simples consumo de sucos de frutas locais. Além disso, optar por produtos locais, produzidos na comunidade, incentiva o desenvolvimento econômico da região.
E já que nas cidades litorâneas as distâncias são pequenas, que tal deixar o carro na garagem? ‘‘O bom é aproveitar para andar de bicicleta, a pé e não ficar queimando combustível’’, explica. Betina reconhece que deixar o hábito de usar o automóvel ou motocicleta para tudo é difícil. ‘‘Mas fazer um esforço para ir ao mercado ou padaria sem o carro vale a pena’’, recomenda.
Normas nacionais
Segundo o diretor comercial da Calango Expedições - empresa especializada em turismo de aventura no litoral do Paraná, Tiago Choinski, o Ministério do Turismo criou em parceria com a Associação Brasileira de Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura (Abeta) uma série de normas para reduzir o impacto e aumentar a segurança nesse tipo de atividade. ‘‘Foi um esforço do governo e das empresas para qualificar o turismo de aventura’’, conta.
Na definição das atividades ofertadas pelas agências, conta Choinski, são observados os possíveis impactos que os turistas podem causar no local. ‘‘É com base nisso que é definido o roteiro e até o limite de pessoas que podem fazer parte de cada excursão’’, explica. A Calango já conseguiu certificar o roteiro de cicloturismo ofertado pela empresa em Morretes.
A preocupação com o impacto ambiental das atividades é tanta que, relata Choinski, até mesmo o barulho causado por grandes grupos de turistas é observado. ‘‘Se o grupo é muito grande, dividimos em dois e criamos um intervalo de pelo menos meia hora entre a passagem de cada equipe.
Para Choinski, o turista interessado em fazer caminhadas, aproveitar rios e lagos e outras atividades em áreas de natureza preservada deve, em primeiro lugar, procurar um guia. ‘‘É o guia que sabe as dificuldades e desafios de cada caminho, além de orientar quais são os cuidados especiais para cada área’’, completa.

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