Tunga expõe sua obra na Pirâmide do Louvre
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domingo, 13 de novembro de 2005
Maria Carmona<br> France Presse 
Paris - Pela primeira vez a famosa pirâmide do Museu do Louvre, em Paris, se torna espaço de exposições para exibir a obra do artista contemporâneo brasileiro Tunga, com sua instalação ''À Luz de Dois Mundos'' ou ''A la lumière des deux mondes''.
Nascido no Rio de Janeiro em 1952, Antonio José de Barros Carvalho, conhecido como Tunga, é considerado um dos maiores artistas contemporâneos da América Latina. ''Ver minha obra exposta no Louvre me comove, evidentemente. Parece um sonho de infância, quando a gente fica diante dos mestres e aprende. De repente, a gente se dá conta de que não só aprende, mas também ensina. Isto é muito importante, sentir que há um momento na obra da gente em que se alcançou um nível que já se está maduro e pode deixar algo para os demais, deixar uma marca'', declarou o artista.
Especialmente encomendada pelo museu como um eco da grande exposição dedicada ao Brasil, a obra de Tunga encarna a força criativa da arte contemporânea brasileira e aparece como uma resposta à visão do artista holandês Frans Post que, no século XVII, foi o primeiro europeu a retratar a terra americana.
''Parti desta proposta de paralelo com Frans Post, a quem se atribui a descoberta de uma nova luz, a luz do Novo Mundo. Na época, causou fascínio essa história de outra luz e outro mundo. Mas hoje sabemos que há uma única luz e um único mundo'', disse Tunga ao apresentar sua obra.
''À Luz de Dois Mundos'' é uma estrutura organizada ao redor de um suporte fixo em uma coluna central. Bronze, aço e outro se entrelaçam e emaranham nos vários elementos da escultura, que parece sustentada por um frágil equilíbrio de balanço e contrapeso. No meio, um enorme esqueleto descansa, plácido, em uma rede. De um lado, uma trança sustenta crânios. Do outro, um emaranhado de fios de aço cai como se fosse uma cabeleira, de onde pendem cabeças viradas para baixo, reproduções de estátuas de várias civilizações expostas no Louvre.
De um lado, a trança, nas palavras do próprio Tunga, ''como símbolo da cultura, visto que é um elemento universal que está em todos os lados, no cabelo, na palha para fazer cestos, nos tecidos''. Do outro, ''fios soltos caem apenas presos por um pente de ouro, como um primeiro elemento que estabelece um princípio de ordem nesta desordem e tem como consequência as cabeças cortadas como símbolos das culturas subjugadas''.


