Tudo por uma pechincha
Há dez anos, Adelaide Bueno, 48 anos, deixou o emprego de balconista para fazer festas de criança. Foi tomando gosto pela coisa e, aos poucos, deixou os eventos infantis para investir no ramo de "gente grande": as festas de casamentos. Deu tão certo, que o marido e os dois filhos de Adelaide trabalham no negócio, que expandiu. A parte do cerimonial e decoração de eventos ficou para o filho e o marido, José Bueno, 52 anos, e ela toca uma loja de aluguel de trajes finos e vestidos de noiva.
A Adelaide Noivas - locação de trajes e decoração de eventos, fica à rua do Grupo Escolar, no Campo Comprido. Um empreendimento de grande porte - 216 metros quadrados -, que chama a atenção na região residencial. Nem um pouco chinfrim. Pelo contrário, é de espantar o tamanho e a organização do local. O imóvel que era a casa da família, virou uma loja organizada por cômodos: trajes de festa, smokings, gravatas, debutantes, bolo-vivo, daminhas, noivas, sapatos masculinos e femininos. São centenas de peças bem expostas, cujo preço do aluguel é aprazível ao bolso do freguês.
Só de vestidos de gala são cerca de 700 que são locados por R$ 50,00. Um scarpin sai por R$ 15,00 e a sandália por R$ 10,00. Já na entrada da loja se vê o anúncio de pacotes promocionais. O aluguel do vestido de noiva, mais traje do noivo, vestido para duas daminhas e dois trajes de festa (pai e mãe), varia de R$ 500,00 a mil reais. Uma pechincha. Pagando o pacote mais caro, a noiva ainda leva um sapatinho de chocolate com senhas para ser rifado no dia da festa. "Com o dinheiro arrecadado a noiva consegue cobrir os gastos com o aluguel das roupas", explica Adelaide.
A primeira locação do vestido de noiva custa R$ 1,5 mil. "No Centro o preço é R$ 3 mil, o valor que se paga pelo vestido em São Paulo. Acho exploração demais. Com a outra locação a gente já tem o retorno do investimento", disse Adelaide, que cobra entre R$ 380,00 e R$ 600,00 em média pelo vestido de noiva. "A primeira locação do vestido medieval foi R$ 850,00, depois de seis anos, desvalorizou e hoje custa R$ 180,00", compara. Além do precinho, outro diferencial da loja são os tamanhos grandes. Ela tem vestido de noiva até no tamanho 48.
"Geralmente as pessoas pegam com a gente da roupa a decoração e o cerimonial. Minha filha é que faz essa parte do cerimonial", conta ela, se referindo a Ana Cristina, de 16 anos, que cuida da noiva, entrada dos padrinhos, organiza distribuição do bolo, da valsa, do sorteio do sapatinho, do corte da gravata e do momento que a noiva joga o buquê. A família faz 30 casamentos, por mês, e conta com quatro funcionários. Na loja, os clientes podem escolher a prataria, a louça, as capas de proteção das cadeiras, as toalhas de mesa e decoração do salão de festas e da igreja.
"Fechamos contrato de cerimonial e decoração por R$ 3 mil, em média. Mas chegamos a fazer casamentos mais sofisticados, por R$ 7 mil, na Região Metropolitana. Geralmente é porque querem a decoração com lírios e rosas. Não importa o quanto custa o casamento, mas que estão pagando", garante José. "Sinto um friozinho na barriga até hoje. É uma responsabilidade fazer casamento. Mas quem nos contrata sabe que não tem perigo de atrasar, nada vai dar errado. A maioria fecha contrato com a gente e sai superfeliz daqui. Temos boa fama", aposta ele. (F.G.)





