Tudo é possível nos Classificados
PUBLICAÇÃO
domingo, 16 de novembro de 2008
Paula Costa Bonini<br> Especial para FOLHA 
Atire a primeira pedra quem nunca vendeu ou comprou algo pelos Classificados. Ou quem não tem o hábito de dar, pelo menos, aquela ''olhadinha'' nos anúncios. São muitas as ofertas de empregos, imóveis, eletrodomésticos, automóveis e objetos em geral. Alguns bem convencionais - compra, venda e troca de bens comuns e de maneira habitual -, já outros bastante inusitados (e põe inusitado nisso).
Aparece cada uma: ''precisam-se de paredes para testes de pintura'', ''vendo terreno esburacado'', ''sou japonês e procuro uma mulher brasileira'', ''vendem-se toalhas antigas''. E mais: com frequência são anunciados produtos pouco conhecidos, como aglutinador - máquina que se usa na reciclagem, própria para moer o polietileno -, extrusora - máquina que derrete, esfria e corta plástico, muito utilizada em indústrias de móveis e para fabricação de sacolas -, e ponteadeira - ferramenta própria para pontilhar chapa de ferro, sendo utilizada em indústrias metalúrgicas e de veículos.
A supervisora dos Classificados da FOLHA, Luciana Regina Troca, afirma que a procura é grande, principalmente às quintas e aos domingos. ''Nos fins de semana, a média passa de dez mil anúncios'', diz.
Existem 16 postos de atendimento da FOLHA na cidade, além de Tamarana, Ibiporã, Cambé e Arapongas. Em breve mais quatro unidades serão abertas: uma em Ivaiporã e Rolândia e duas em Umuarama.
Pessoas de todo o Brasil e até mesmo de outros países já fecharam negócios ou anunciaram na FOLHA. ''Teve um cliente do Japão que, por meio dos classificados, comprou um imóvel na cidade'', conta Luciana, lembrando de uma família do Chile que publicou um comunicado de pesar.
Antimarketing
Anúncios curiosos e até engraçados sempre aparecem. O do empresário Sebastião Barbosa é um exemplo. Há alguns meses, ele chamou a atenção nos Classificados. E com razão. Para vender um terreno no Jardim Sabará (Zona Oeste de Londrina), ele utilizou uma tática bem diferente: enumerou tudo que a data tinha de ruim. ''Foi a maneira que encontrei de chamar a atenção'', afirma Barbosa, acrescentando que o terreno realmente não estava em boas condições.
Ele publicou informações do tipo ''terreno esburacado em região ruim da cidade''. E, por incrível que pareça, a tática deu certo. Barbosa recebeu várias ligações e está tramitando o negócio.
O método não era inédito. Há dez anos, anunciou um carro da mesma forma. ''Informei que o carro estava destruído, que a lataria e o estofado estavam estragados, e que só o motor era novo'', lembra. Não demorou muito e apareceu um comprador.
Serviço colorido
A professora Izilda Teixeira Ribeiro também encontrou interessados no seu anúncio: ''Precisam-se de paredes para testes de pintura''. As pessoas não entendiam o motivo de ela se oferecer para fazer testes e pintar gratuitamente paredes. Mas, a professora explica. ''Sou artista plástica e precisava de paredes para testar as cores. Recebi alguns telefonemas, mas como os lugares eram afastados acabei pintando minhas próprias paredes'', fala.
Outro anúncio que chamou a atenção foi o que trazia: ''vendo toalhas antigas''. A empresária Márcia Caliento conta que recebeu muitas ligações de pessoas interessadas em saber que toalhas eram essas e porque estavam à venda. Quem ligou teve uma surpresa agradável. As peças eram da Ilha da Madeira (Portugal), sendo consideradas verdadeiras raridades.
Os Classificados também já trouxeram o seguinte anúncio diferente: ''seja um distribuidor de cápsulas ecológicas''. Mas, afinal o que é isso? De acordo com o empresário Fernando Fukuji, é um produto revolucionário e novo no mercado. ''O objetivo é reduzir o consumo de combustível e diminuir a emissão de poluentes'', explica. Ele conta que houve ligações e que chegou a vender o produto.
A grande verdade é que quem abre os Classificados pode encontrar de tudo um pouco - interessados em vender porta giratória, lambreta, torrefador de café, bordadeira, animais (égua, vaca, mula e filhotes em geral), sucata de plástico, esterco, húmus e minhoca. Há também quem queira comprar caçambas, malas, roupas e objetos de época, sapatos, bolsas e acessórios.
E a função dos Classificados não pára por aí. Ele ainda pode servir de cupido. Já aconteceu, várias vezes por sinal, de pessoas anunciarem que estão à procura de um grande amor, chegando a publicar foto e marcar encontro. Ninguém que tenha utilizado esse serviço aceitou conversar com a reportagem.
Negócio certo
Quem anunciou garante que o retorno é positivo. Como no caso de Júlia Keiko Yoshida, proprietária da Yoshida Agência de Viagens e Turismo. Ela conta que há cerca de 20 anos publica anúncios nos Classificados. ''Muitas pessoas procuram a empresa devido aos anúncios.''
Assim como Júlia, o proprietário do Depósito Igapó - de materiais de construção -, Jordão de Souza Neto, também anuncia nos Classificados há quase duas décadas. ''Não temos outra forma de divulgação'', afirma. ''Quando ficamos um período sem anunciar já sentimos a diferença, pois o movimento cai'', observa o proprietário.
Anunciar na FOLHA também é uma prática comum de Augusto Kono, responsável pela ATK Veículos. Há cinco anos ele publica anúncios semanais da empresa em dias variados. Kono garante que o retorno é realmente positivo.


