Tudo começou com um semáforo a manivela
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 17 de março de 2008
Denise Ribeiro<br>Equipe da Folha 
Com mais de um milhão de veículos circulando pelas ruas de Curitiba, os 40 segundos de espera diante do sinal vermelho nos horários de maior movimento parecem não ter fim. Nem os mais modernos sistemas de controle do tráfego, como os sensores que permitem microajustes na sincronia dos sinaleiros nos cruzamentos mais movimentados, conseguem dissipar a sensação de que o trânsito não flui. Fica difícil imaginar que tudo isso começou com um sinaleiro de ferro pesando mais de 250 quilos colocado no meio do cruzamento entre duas das maiores avenidas da capital, a Marechal Deodoro e a Marechal Floriano Peixoto, operado manualmente por um guarda.
O semáforo pioneiro, que funcionou até 1957, era formado por quatro conjuntos de lâmpadas verdes, amarelas e vermelhas, que indicavam aos motoristas o momento certo de seguir caminho. O guarda responsável por operar o equipamento controlava as cores, através de uma manivela, de acordo com as alterações no fluxo dos veículos em cada sentido das avenidas. Quando o guarda precisava se ausentar por algum motivo, como ir ao banheiro, deixava o sinaleiro todo no amarelo, conta o diretor do Museu Histórico da Polícia Militar, tenente Anacleto
Antonio Winck.
O equipamento era ligado à rede elétrica mas contava com uma bateria que era acionada em caso de interrupção do fornecimento de energia. O sinaleiro começava a funcionar às 8 horas e o expediente encerrava às 22 horas. Os colegas mais antigos contavam que quando chovia levavam choques por causa do metal molhado, lembra o policial militar da reserva, Marco Antonio Vilela, que integrou o BPTran entre 1973 e 2001. Vilela fez parte do 1º pelotão de motocicleta da polícia de trânsito, cuja a principal atribuição era o atendimento de acidentes. Naquele tempo não existia Siate, lembra o policial, que prestava os primeiros socorros às vítimas até a chegada da ambulância ou da viatura que encaminharia os feridos ao Pronto Socorro mais próximo.
De acordo com o diretor do Museu, não há registros de quando o primeiro sinaleiro entrou em operação em Curitiba, mas sabe-se que foi antes da década de 50. A criação do 1º Pelotão de Trânsito, hoje Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran), data de 1952. Um dos sinaleiros dessa época está no Museu Histórico da Polícia Militar, no Quartel do Comando Geral da PM, na esquina das Avenidas Marechal Floriano Peixoto e Getúlio Vargas, no bairro Rebouças. O museu guarda também a primeira moto comprada para o policiamento de trânsito e um radar utilizado pelo Batalhão de Controle de Tráfego, em 1973, além de quepes e fotos que ajudam a contar a história da sinalização do trânsito na capital.
Hoje, dos 950 cruzamentos semaforizados de Curitiba, 60% estão ligados à central do Controle de Tráfego em Áreas (CTA), da Diretoria de Trânsito da Urbanização de Curitiba S.A. (Diretran/Urbs). Quando o primeiro sistema informatizado de controle entrou em operação, em 1977, com equipamentos importados da Holanda, 30 cruzamentos eram sincronizados a partir da central e a frota da capital era de 167.964 veículos. O Departamento de Trânsito do Paraná (Detran-PR) tem registro da evolução da frota de Curitiba somente partir de 1974, quando a capital contava com 96.149 veículos. Apenas nos últimos quatro anos, a frota curitibana ganhou 199,8 mil novos veículos, quase um terço da quantidade de veículos que entraram em circulação na capital ao longo de 30 anos, até 2004.
Mas entre o fim da operação manual e a informatização do sistema, a história dos semáforos de Curitiba conta ainda com outro capítulo. Nesse intervalo, os semáforos da capital funcionavam com um sistema eletromecânico, em que engrenagens dentadas eram acionadas por um motor elétrico. Cada dente correspondia a um segundo no controle do tempo entre as luzes verde, amarela e vermelha. O primeiro sinaleiro desse tipo foi instalado, em 1956, no cruzamento da Rua XV de Novembro com a Rua Dr. Muricy, no Centro.
SAIBA MAIS
Há muito tempo...
- O primeiro semáforo dedicado ao controle de fluxo de veículos começou a operar em 10 de dezembro em 1868, em Londres, no cruzamento das ruas George e Bridge, perto do Parlamento.
- Foi projetado pelo engenheiro ferroviário J. P. Knight e possuia dois braços que, quando estendidos horizontalmente significavam ''Pare'' e quando inclinados a 45 graus significavam ''Siga com cuidado''. À noite, uma lâmpada de gás verde e uma vermelha reforçavam as indicações dos braços.
- Uma campainha soava instantes antes de cada mudança de permissão de passagem.
- O equipamento explodiu 23 dias depois de entrar em operação, matando o polical que o estava operando.


