Tudo começou com o Boizinho Faceiro
Segundo Pedro Solak, a movimentação em torno do maracatu começou com o trabalho do Boizinho Faceiro, grupo de cultura popular curitibano, criado há cinco anos. ''O Luciano Fagundes, sobrinho do artista Antônio Carlos Nóbrega, era o coordenador do grupo e foi ele quem facilitou esse intercâmbio com o Pernambuco. Com certeza foi o Boizinho Faceiro o primeiro a trabalhar o maracatu em Curitiba, mas não podemos esquecer que o Mundaréu iniciou a valorização dos ritmos brasileiros já há dez anos'', informa ele.
Quando o Boizinho introduziu o maracatu nas apresentações passou a ser convidado para tocar em eventos de faculdades e de prefeituras. ''Fazíamos a divulgação do nosso trabalho com o maracatu. Às vezes nem rolava o espetáculo inteiro, só o cortejo com o maracatu, coco e ciranda. Não escolhemos destacar o maracatu, mas os tambores são contagiantes, se tornando um aglutinador de pessoas'', explica Solak, observando que negros são pouquíssimos nos grupos curitibanos e que o movimento foi tomado pelos estudantes universitários.
Oficinas de maracatu começaram a ser promovidas pelo Boizinho Faceiro, quando se observa a formação dos primeiros grupos de maracatu da cidade, o Estrela do Sul e o Maracaeté, há mais de dois anos. ''Depois fizemos algumas oficinas com os universitários no festival de inverno de Antonina que geraram o grupo Voa Voa Maracatu Brincante. Então, a gente percebe uma cena de maracatu se estabelecendo em Curitiba, cada grupo com sua proposta'', pontua Pedro Solak, que é coordenador do Voa Voa e do qual participam 35 pessoas.
O Arrastão de Maracatu na Rua XV começou, em 2006, também com a proposta de divulgar a cultura popular. O evento acontece na última sexta-feira do mês e junta cerca de 50 batuqueiros dos grupos da cidade que seguem num cortejo pela via. ''Maracatu é diversão, alegria que anima a cena cultural apática de Curitiba. Nas ruas, a gente vê pouca coisa por aqui. Nesses anos de trabalho, o maracatu foi conquistando esse espaço. Tocar na Rua XV, a espinha dorsal da cidade, com esse povo todo acompanhando é uma grande motivação'', comemora o universitário Ulisses Sato, de 21 anos, integrante do Voa Voa.
No primeiro Encontro Sul-Brasileiro de Grupos de Percussão de Maracatu de Baque Virado, em dezembro do ano passado, mais de 100 batuqueiros deram corpo ao Arrastão na Rua XV, talvez o mais grandioso até agora. Além disso, a cidade já sediou dois encontros de maracatus, em 2006 e 2007, nas ruínas do Largo da Ordem, chamado de ''Curicatu de Maratiba''.
''Na verdade, não temos nenhum grupo de maracatu. Os grupos daqui são de percussão, porque não possuem ainda os demais elementos que compõem o maracatu como a corte da rainha, as bonecas calunga que são símbolos da divindade e de respeito às entidades da nação ou do terreiro. Até as toadas começamos a aprender mais há pouco tempo'', disse Solak, acrescentando que as oficinas com batuqueiros e mestre de nações de Pernambuco, como o Estrela Brilhante, Leão Coroado e Porto Rico, em 2007, demonstram o esforço dos grupos em trabalhar para se assemelharem, cada vez mais, com o maracatu daquele estado. (F.G.)





