O secretário-geral da Câmara, Ubiratam Aguiar (PSDB-CE), propôs ontem que o presidente Fernando Henrique Cardoso tente um entendimento com a centro-esquerda, logo depois de anunciado o resultado das eleições. Para ele, essa é a forma mais segura de aprovar as reformas com uma linha social. Aguiar é o primeiro tucano a admitir que o PSDB irá sair enfraquecido das urnas nessas eleições, principalmente para a Câmara. Segundo ele, as previsões feitas por alguns integrantes da cúpula do partido de que o PSDB elegeria 120 deputados ‘‘foram por água abaixo’’.
Ele acha que a bancada tucana na Câmara deve encolher para 80 parlamentares. ‘‘Isto é péssimo para o presidente Fernando Henrique e é péssimo para o partido’’, analisou. Isso porque o governo terá de recorrer novamente à aliança com a direita para conseguir os três quintos necessários no Congresso, uma vez que só assim conseguirá fazer as reformas. ‘‘Essas alianças com o PFL e com o PPB nem sempre são desejáveis para o projeto social-democrata’’, avalia Aguiar.
Segundo ele, seria muito mais fácil ser feito por meio de uma aliança com a esquerda para a realização dos projetos desse governo. ‘‘O problema é que, ao radicalizar, a esquerda coloca o presidente no colo dos liberais’’, opina. ‘‘Por isso, temos de nos aliar com a aliança possível’’, argumentou. Para reforçar a idéia ele cita o exemplo de São Paulo, onde Fernando Henrique teve de se aliar ao ex-prefeito Paulo Maluf (PPB). ‘‘Se o José Dirceu (presidente nacional do PT) tivesse feito outro tipo de composição, Fernando Henrique não estaria no colo de Maluf.’’
Para ele, era preciso iniciar uma discussão de uma frente de centro-esquerda. Aguiar lembra que, ao terminar essas eleições, o candidato a presidente Ciro Gomes (PPS) irá aglutinar ao próprio redor uma nova força política. Essas idéias foram discutidas ontem, pelo telefone, com o deputado José Aníbal (PSDB-SP), ex-líder tucano na Câmara. AE)

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