Tribalista digital
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quarta-feira, 01 de outubro de 2008
Omar Godoy<br>Equipe da Folha 
Quando decidiu viver de música, Claudinho Brasil teve uma conversa séria com os pais, ambos psicanalistas. Ficou combinado que ele poderia, sim, optar pelo caminho da arte. Mas teria de estudar e se formar na área, ''para não ficar tocando em barzinho a vida inteira''.
Músico da noite, baterista e vocalista da banda Sexofone, Claudinho trocou o curso de Engenharia Florestal pelo de Licenciatura em Música. Lá pelo terceiro ano, durante uma aula da disciplina Evolução da Música, teve uma espécie de revelação ao estudar os rituais primitivos.
''Comecei a comparar elementos antigos e contemporâneos e percebi que os rituais ancestrais e as festas rave são muito parecidos'', conta. Nas duas manifestações, ele diz, há o reencontro com a natureza e uma conexão entre diversas áreas - música, dança, pintura, vestuário, etc. Sem contar as semelhanças rítmicas. ''São estruturas repetitivas, minimalistas, que levam a estados alterados da consciência'', explica.
Encantado pelo tema, o músico se aprofundou na pesquisa. Em seguida, deixou o Sexofone para lançar o projeto Claudinho Brasil e Arquétipos, baseado na modernização de rituais primitivos e ritmos populares brasileiros. No entanto, ainda havia uma barreira a ser superada: seu próprio preconceito com a música eletrônica.
''Dava palestras falando sobre raves e levei três anos para ir a uma festa'', admite. Quando finalmente esteve em um evento do gênero, sentiu-se transformado. No caminho de volta para casa, deu-se um prazo de nove meses para aprender a lidar com ferramentas digitais. Menos de um ano depois, em dezembro de 2006, estreou o que chama de ritual eletrônico - com direito a performance cênica e tambores de maracatu no palco.
A guinada o levou para fora de Curitiba. Apresentou-se em outras cidades brasileiras e fez uma mini-turnê pela França, Bélgica e Dinamarca. Paralelamente, escreveu e lançou o livro A Modernização da Música Primitiva, que acompanha um CD. Atualmente, prepara um projeto ''mais acessível'' e ''menos radical'', como ele mesmo define.
''Estou numa fase meio budista, buscando um equilíbrio. Tenho 29 anos e me sinto mais maduro. Quero abrir outras portas para o meu trabalho'', afirma o ''tribalista'', hoje um adepto da yoga, da meditação e do vegetarianismo.


