Os irmãos Pedro e José Carlos Muffato fundaram, na década de 1970, uma empresa que se transformaria em um grande empreendimento familiar. A sociedade entre os dois irmãos permaneceu até 1988, quando José Carlos criou o Grupo Super Muffato. Uma característica marcante nestas três décadas de história foi a disciplina.
  Os três filhos do casal José Carlos e Reni foram iniciados no varejo quando ainda eram crianças. Ederson e Everton começaram a trabalhar com 9 anos e Eduardo com 11.
  Hoje, Everton reconhece que foi importante começar cedo para conhecer todas as etapas do negócio. ‘‘Comecei retirando as etiquetas do chão. Antigamente, você remarcava a mercadoria, a etiqueta caía e você tinha que usar a espátula para retirar as etiquetas que caíam no chão. Depois fui empacotador, operador de caixa, açougueiro, confeiteiro e padeiro, assim com meus irmãos também’’.
  Mesmo sendo filho do dono, os irmãos sempre prestaram conta de seus trabalhos ao chefe imediato e nunca diretamente ao pai. ‘‘A gente foi criado em casa com o maior amor do mundo, mas na empresa a gente era tratado como um funcionário e nunca tivemos regalias como filhos do dono’’, salienta. Everton diz que passou a se reportar diretamente ao pai em questões de trabalho apenas quando subiu na hierarquia da empresa.
  As empresas familiares bem organizadas quase sempre preparam seus herdeiros para a sucessão. Mas no caso da família Muffato, houve uma fatalidade que mudou o rumo da história. Em 1996, o patriarca José Carlos morreu em um acidente aéreo em Foz do Iguaçu, junto com três empresários de Cascavel.
  Na época, Ederson estava com 18 anos, Everton com 16 e Eduardo com 12. Apesar da pouca idade, os ensinamentos repassados pelo empresário a seus filhos foram decisivos para a continuidade dos negócios. ‘‘Meu pai nunca cobrou de nós sermos empresários do ramo de supermercados; ele sempre disse que respeitaria nossos dons, mas que torcia para a gente continuar neste segmento. E assim nós tivemos um professor que para nós foi o melhor professor do mundo. Graças a Deus, os três irmãos têm o dom do varejo, somos apaixonados pelo varejo e isso é fundamental’’.
  Os três filhos aprenderam as lições direitinho. Everton, aos 16 anos, já era subgerente de uma das lojas. ‘‘Meu pai tinha um princípio: primeiro a gente tem que aprender, saber fazer, para depois mandar. E isto nos deu uma credibilidade muito boa perante nossa equipe. Mesmo novos, nossas decisões eram respeitadas porque nascemos dentro do negócio’’.
  Everton frisa também que o fato de ter uma família bem estruturada foi decisivo para superar a ausência do pai. ‘‘Nossa mãe foi uma grande conselheira. Ela foi pai e mãe, soube segurar as desavenças, manter a família unida, os filhos unidos, não deixar nenhum filho desvirtuar. Nós devemos tudo a ela’’, reconhece.
  O empresário diz que os filhos fazem questão de preservar os valores morais deixados pelo pai. ‘‘Os valores plantados por ele estão vivos até hoje. Eu acho que toda empresa tem que se modernizar, inovar e quebrar paradigmas; mas tem alguns valores que nascem e devem se perpetuar. São os valores baseados na ética, na honestidade, do que é certo e do que é errado; de não querer o que é dos outros para que os outros não queiram o que é nosso’’.
  O empresário acha que a única forma de seguir esta filosofia de trabalho é servindo de exemplo até nos pequenos detalhes. ‘‘A gente acredita que não se pode cobrar exemplo embaixo, se em cima não há exemplo. O exemplo tem que partir dos proprietários da empresa, da diretoria, dos encarregados, desde uma roupa limpa, uma boa aparência física, o comportamento extra-empresa. Em um supermercado, você tem a cidade inteira em sua casa. A gente preza essa linha de conduta do nosso quadro gerencial. Primeiro a regra vale para nós, depois vale para a equipe’’.

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