Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, o trabalho do Pelotão de Choque vai além de sair para a rua com as viaturas procurando bandidos. O pelotão também é responsável pelas ações anti-bombas, controle de distúrbios civis, revista em presídios e distritos, controle de rebeliões e intervenção em altura. Além disso, também fazem parte do pelotão o Canil, que trabalha com cães treinados para ações policiais, e o Choque Motos, que faz o patrulhamento com motocicletas.
  Para conhecer um pouco mais dos outros serviços realizados pelo Choque, a reportagem da FOLHA também acompanhou uma tarde de treinamento para os estagiários do pelotão.
  Para ingressar no Choque, o voluntário precisa estar, no mínimo, há dois anos na Polícia Militar. Quando um policial manifesta o desejo de fazer parte do Pelotão, passa por uma entrevista, que vai avaliar, principalmente, suas condições psicológicas para o novo serviço.
  Depois de aprovados nessa entrevista, os candidatos vão passar por seis meses de estágio. Durante esse tempo, vão trabalhar mais do que todos os outros. Serão três dias de trabalho, de 12 horas cada um, para cada dia de descanso. Enquanto isso, os policiais, que já são do Choque, trabalham dois dias e descansam dois.
  Os estagiários também ficam conscientes de que não terão aumento de salário e também devem estar sempre prontos para o serviço, mesmo nos períodos de folga. ‘‘Se acontecer alguma coisa e o policial de folga for chamado para o serviço, ele tem meia hora para estar no Batalhão’’, explica o tenente Frank.
  Somente depois de concluídos os seis meses de estágio é que o candidato, se for aprovado, vai poder dizer, finalmente, que faz parte do Pelotão de Choque. Então, receberá a farda camuflada, a boina e o braçal.
  No treinamento, acompanhado pela FOLHA, os estagiários passaram por uma simulação de entrada em presídio e distrito policial, para revista e controle de rebelião.
  O treinamento é repleto de detalhes. Cada passo executado pelos policiais é acompanhado de perto pelo tenente Franck, que vai corrigindo os erros e faz com que os movimentos sejam repetidos à exaustão. ‘‘É melhor vocês derramarem suor aqui no treinamento, do que derramarem sangue em uma situação real. O treinamento exaustivo é o segredo do nosso sucesso’’, diz o tenente.
  O comandante do Pelotão de Choque de Londrina ainda é jovem. O tenente Franck tem apenas 30 anos, porém muito conhecimento. Ele me conta que investe boa parte do seu soldo em cursos, que custam, em média, R$ 2,5 mil. Tudo para poder passar mais conhecimento aos homens de seu pelotão.
  Ele revela ainda que espera ver um sonho seu realizado em breve: o Pelotão de Choque de Londrina tornar-se uma Companhia do 5º Batalhão de Polícia Militar. ‘‘Logo, teremos o início dos trabalhos da Companhia Independente da Zona Norte. Isso vai abrir uma vaga para a Companhia no nosso batalhão. Seria muito bom se essa vaga fosse do Choque, pois nossa estrutura de trabalho ficaria ainda melhor’’, finaliza.(W.S.)

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