O primeiro time de futebol de botão do londrinense Paulo Roberto Duleba, 57 anos, foi feito por ele mesmo, quando tinha 11 anos. Ele conseguiu lentes de tampas de relógio antigo e colou fotos de Pelé, Garrincha, Djalma Santos e outras estrelas da seleção brasileira de 1958, recortadas da Revista Cruzeiro. Uma caixinha de fósforo virou um robusto goleiro, tudo muito bem acabado com durex e uma figurinha. Tanto esmero sinalizava o começo de uma paixão que marcaria toda uma vida.
Para quem reduz o jogo a uma brincadeira de criança, se impressiona com a seriedade que Duleba trata o futebol de mesa ou de botão. É um esporte, com competidores em todo Brasil, organizados em federações e clubes que participam de campeonatos. O último título do botonista profissional foi o vice-cameponato, na categoria master, da Copa do Brasil. Já foi campeão paranaense nos anos de 1975 (adulto) e 1989 (master) e presidente da Federação Paranaense de Futebol de Mesa, cuja sede fica, hoje, em Londrina.
Aliás, a Confederação Brasileira de Futebol de Mesa foi fundada em Curitiba, em 1970. Apaixonado pelo jogo, Duleba coleciona times de botão dignos de acervo de museu. Como o botão feito em Galalite da década de 1940. "Os miudinhos eram os atacantes. E até hoje é assim. Os maiores, que não podem ultrapassar seis centímetro de diâmetro, são os zagueiros. O botão não faz distinção de qualidade, pode jogar um mais moderninho com um desses de 1940", explica ele, que aprendeu a jogar com o primo já falecido, na mesa de madeira da mãe.
Dono de 16 times, guarda alguns de valor afetivo, como os que fez para os filhos. "Pintei dois times de plásticos vazados para os meninos, um com as cores do Atlético e outro do Vasco, em 1980. Descobriram depois que o botão vazado ajudava a deslizar melhor na mesa", lembra ele, contando que a bolinha também já evoluiu bastante. "Já foi redonda de cortiça, pastilha de plástico, embalagem de alumínio de chocolate amassada, pastilha de novo e depois de feltro", conta.
Times de botão mais modernos são de acrílico e custam em média R$ 100,00, num fabricante de São Paulo. Cada time encomendado por Duleba tem 4,5 milímetros de altura e ângulo de 20 graus na lateral - que favorece marcar gols - e ganha tratamento especial. É decorado um a um por ele, que faz no computador os distintivos e os nomes dos times e compra letrinhas adesivas para identificar os jogadores. O trabalho minucioso dura uma semana e ganha acabamento com esmalte. Assim resultaram os times do Real Madrid, do Santos e do LEC. Tão bonitos que, vez por outra, Duleba recebe propostas de compra ou troca.
"Não tem valor. Não tem outro igual. É uma relíquia. Isso que é legal, cada botonista tem o seu próprio time, decora como quer. Não vendo de jeito nenhum. Já emprestei e só", disse ele, que treina e representa o Clube Dom Pedro II. "Tem muita gente que tem vergonha de dizer que joga futebol de botão e deixa o esporte. Isso é como um xadrez. Você joga agora pensando no lance futuro. Precisa de estratégia e habilidade e paciência do jogador. Não há brigas, rivalidades ou violência. No botão fiz amizades para toda vida", destaca.

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