Da última vez que reformou a bicicleta, uma Monark sueca, a aposentada Rose Arins, 54, descobriu que o modelo da magrela é dos tempos da Segunda Guerra Mundial. "O dono da oficina que me informou, por causa do freio dela. Eu não imaginava. Na verdade, ele me desaconselhou a reformá-la, disse que era melhor comprar uma nova, mais moderna. Ele depreciou aquilo que eu queria conservar", lembra ela, que investiu cerca de R$ 300,00. A bicicleta ganhou pintura azul petróleo, campainha e rodas novas.
Mal sabia o dono da oficina, que a bicicleta, comprada de segunda mão numa loja de trecos, há 24 anos, pelo pai de Rose, tem um valor afetivo para ela. "Durante um período mais difícil, ía com ela para o trabalho. A pintura original era vermelha e branca. Ela me acompanhou em muitas aventuras. Já tentei usar uma bicicleta mais leve, mas achei estranho. Minhas pernas já acostumaram com o peso dela", conta Rose, que participa da Bicicletada e com frequência, faz o trajeto de 12 quilômetros de casa, na Boa Vista, até a residência da irmã, no Tarumã.
"Dentro do carro a gente perde muito do mundo a nossa volta. Me agrada passear pela cidade empuleirada na minha bicicleta. Sinto o cheiro dos jardins, ouço os passarinhos cantando", disse Rose, que depois de muito pensar revela o preço pago no meio de transporte. "Acho que foi umas 600 lascas, porque comprei essa bicicleta na época do Fred Flintstone", brinca.

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