Trash de Dress ainda não pegou
Levar a noiva para um lugar diferente dos ambientes de celebração do casamento e realizar um ensaio fotográfico despojado, sem compromisso com a boa etiqueta e, principalmente, sem medo de detonar o sonhado vestido de noiva - que de uma forma ou de outra será consumido pelo tempo e pelas traças. A idéia é aproveitar a felicidade do casal e a vontade de registrar o momento da união em situações não convencionais. É o que basta para embarcar numa produção Trash the Dress, conceito lançado por fotógrafos norte-americanos, que propõe fotografia de casamentos combinada com ousadia e arte.
Em Curitiba, os fotógrafos Rubens Vieira e Fabiana Baioni se juntaram, no mês de janeiro, para produzir um ensaio Trash the Dress que servisse de ponto de partida para convencer futuras clientes a se aventurarem numa sessão fotográfica nesses moldes. A locação escolhida foi o Bosque do Papa e o Museu Oscar Niemeyer (MON). Em algumas horas, e com um pouco de sorte, concluíram toda produção que teve custo zero. Aproveitaram a chuva que fazia à tarde, o piso com duas camadas de vidro do MON - para conseguir fotos com efeitos - e até o treino da seleção de futebol americano de Curitiba.
"Mesmo sem entender muito bem, os caras colaboraram. Só não quiseram me jogar para o alto porque não queriam me sujar, eles estavam cobertos de lama. Não conseguiram captar que a proposta era justamente essa", conta a fotógrafa e noiva/modelo Fabiana Baioni, que conseguiu um vestido de noiva praticamente de graça. "Peguei o vestido numa loja de aluguel de roupas, em troca, paguei a lavagem apenas. Mas o vestido quase não sujou e, olha, que eu não tomei muito cuidado. Tem gente cobrando que o vestido seja totalmente estragado, mas isso não é o mais importante num ensaio Trash the Dress", defende ela, que completou o visual com tênis All Star vermelho e meias listradas.
Muitos ensaios Trash the Dress, no Brasil, são feitos na praia, como os que estão registrados no blog www.trashthedress.com.br, mantido pelo fotógrafo Anderson Miranda, de Florianópolis (SC). Em Curitiba, a proposta é aproveitar o ambiente urbano, como o Largo da Ordem, as ruínas de São Francisco, a Rua das Flores, as estações-tubo, os parques. "Muitos noivos já fazem uma paradinha entre o trajeto da igreja e o local da festa, para fazerem fotos diferentes numa estação-tubo, no MON, no parque Tanguá e no Jardim Botânico. Pode ser encarado como uma abertura para o Trash the Dress", aposta Baioni.
Muitas dificuldades impedem as noivas de toparem fazer um ensaio Trash the Dress, fora o risco de estragar o vestido. "Algumas alugam o vestido, daí não querem fazer para não estagar a roupa. Não dá para fazer no pequeno espaço de tempo entre a igreja e a festa, precisa de produção. As noivas não querem fazer o ensaio sem o marido ou mesmo vestir o vestido novamente, porque já perderam muito da expectativa e da a magia do dia do casamento. Em Curitiba, a maioria dos casamentos acontece à noite, e um ensaio externo sem luz natural é mais difícil", elenca Rubens Vieira, que ouviu falar do conceito, pela primeira vez, a menos de um ano.
"A produção pede uma ousadia, que deve partir primeiro do fotógrafo, depois do cliente. Não são todos que cobrem casamento que querem fazer esse trabalho, que exige direção de cena, iluminação adequada, planejamento, algum conhecimento de moda. Caso contrário vai sair uma foto de turista", explica Vieira, dizendo que o conceito Trash the Dress pode ser aplicado em outras situações. "Imagine a cena de uma debutante e as 15 amigas vestidas em trajes de gala passeando num shopping. Mas para isso precisa planejar, pedir autorização do shopping, por exemplo", disse ele.
De acordo com Vieira, uma produção dessa encareceria cerca de 30% a 40% do orçamento previsto para a cobertura fotográfica do casamento. "Fiz alguns contatos com profissionais de fora do país à respeito do tema e uma coisa que todos foram unânimes em afirmar e que pode motivar as noivas e contratantes em geral é que eles (fotógrafos) não conhecem ninguém que tenha feito o ensaio e se arrependido, não importa o tamanho do orçamento dedicado às fotos", incentiva Rubens Vieira. (F.G.)
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