Transtorno e lotação
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terça-feira, 18 de setembro de 2007
Denise Ribeiro<br>Equipe da Folha 
Depender do transporte coletivo da capital e Região Metropolitana para chegar ao trabalho ou ao local de estudo nos horários de maior movimento é enfrentar diariamente um transtorno atrás do outro até o destino. Os ônibus circulam lotados. Na hora do embarque os passageiros se espremem, quem estiver no caminho é carregado junto. E lá dentro, os furtos são comuns.
Você não pode nem respirar dentro do ônibus, conta a estudante Vanessa Adriane Correia, de 24 anos, que mora em Pinhais e estuda em Curitiba. Ela e outros passageiros da linha Pinhais-Rui Barbosa compartilham a insatisfação com o serviço. Todos os dias o vendedor Cleber Januário dos Santos, de 30 anos, morador de Pinhais, enfrenta a mesma situação para chegar ao trabalho em Curitiba: empurra-empurra na hora de entrar no ônibus, aperto lá dentro ou atraso por conta da superlotação que o obriga a esperar no ponto o próximo biarticulado. Chego atrasado direto. Meu patrão pede para eu levantar mais cedo mas não adianta, é pior. Às sete horas é mais lotado ainda, afirma.
A volta para casa no fim do dia não é diferente. O Ligeirinho (Pinhais-Campo Comprido) não adianta nem tentar pegar porque você não consegue, é melhor vir a pé. É difícil até conseguir entrar no tubo, explica Santos. E por causa da pressa muitos acabam se envolvendo em confusão. Se tiver alguém idoso ninguém se importa. O pessoal vem empurrando lá de trás e sai arrastando, conta.
A cena descrita por Santos é comum nos relatos dos passageiros que utilizam o transporte coletivo por volta das sete horas da manhã ou das seis da tarde. Tentei pegar o primeiro e não deu, fiquei na porta. Geralmente é assim. Quando chego no terminal e olho aquela fila dá vontade de voltar para casa, queixa-se a pedagoga Marcia da Luz Corrêa, de 33 anos. Marcia também foi vítima de uma tentativa de furto dentro do ônibus na linha Pinhais-Rui Barbosa. O ladrão desistiu porque o amigo do meu marido viu. É freqüente isso, observa.
A passadeira Ana Rosa Cavalheiro, 42 anos, também reclama do tumulto e da falta de segurança na mesma linha. Tem que esperar sempre o próximo e atropelam a gente. Um quer entrar na frente do outro, por mim já passaram por cima várias vezes, eles não têm educação, lamenta Ana Rosa. Ela conta que a irmã dela já foi assaltada dentro do ônibus à noite por quatro adolescentes que a ameaçaram com uma faca. Ela estava indo embora do trabalho, renderam ela e levaram celular e dinheiro. Depois das 11 (da noite) é um perigo, alerta. Quem costuma usar sempre o mesmo ônibus já até reconhece os criminosos. E cada um se defende como pode, segundo Claudenice Pontarolo, de 23 anos. A gente que conhece fica longe deles, ensina.
Usuário da linha Colombo-CIC, do Ligeirinho, o bancário Helio Francisco de Souza, de 23 anos, conta que nessa linha a lotação também é constante. Hoje entrei com o empurra-empurra. Fui no embalo, estava atrasado e tive que aproveitar. O pessoal não respeita a fila, explica. Segundo a costureira aposentada Vanda Schlemper Karkles, de 68 anos, a linha Pinheirinho, do biarticulado, é outra em que os passageiros disputam espaço. Não é que o ônibus demora, mas precisava ter mais ainda para o povo não ir tão apertadinho, observa. Mas dizem que nossos ônibus ainda são bons. Para quem não precisa usar é maravilhoso, completa.


