Transporte foi reivindicação inicial
No dia em que os diretores da ACL assumiram o primeiro mandato, em 1937, já tinham claro qual seria a primeira grande bandeira da entidade. Na noite da posse, no salão nobre do Líder Clube, o diretor Carlos de Almeida pediu a palavra para lançar a reivindicação: melhores condições de transporte para o escoamento da produção madeireira. Os vagões de transporte de cargas da Ferrovia Paraná-São Paulo eram insuficientes.
O transporte de passageiros também não era fácil. Havia duas opções: ou se pegava o trem ou se enfrentava a aventura de uma viagem de automóvel, em estradas que se tornavam inviáveis quando chovia ou, no mínimo, desconfortantes em épocas de seca, devido à poeira infernal.
Uma das primeiras reivindicações feitas pela ACL foi a construção da Estrada do Cerne, ligando o Norte do Estado à Capital, Curitiba. Para percorrer o trajeto, a opção, na época, era atravessar de balsa o Rio Tibagi e seguir pelas estradas de terra do Norte Pioneiro.
Na cidade, os principais meios de transporte eram as bicicletas e as carroças. De acordo com o censo de 37, circulavam no município 510 carroças, 200 bicicletas, quatro tratores, 80 automóveis, 160 caminhões, 13 ônibus, 15 motos, oito carroções e 30 aranhas (charretes cobertas de lona, puxadas por um cavalo, para um ou dois passageiros; as charretes que atuavam na zona do meretrício eram conhecidas por balaios de puta).
Conta a história que Manoel Ribas, após participar da inauguração do imponente e famoso prédio da ACL, voltava para Curitiba quando deparou com um protesto de caminhoneiros na balsa do Tibagi, na entrada de Jataizinho.
Ao notarem que o carro que tentava furar a fila era o do interventor, os caminhoneiros o cercaram e lançaram um desafio: O senhor só passa na frente se prometer fazer a ponte. Mané Facão, que na noite anterior já tinha prometido a obra para os diretores da Acil, habilmente aceitou as condições e pôde tranquilamente ir embora para Curitiba. (B.B.)





