Transplante de rim vira referência mundial
Cirurgia inédita realizada há 28 anos projetou Londrina no cenário científico internacional
10 de junho de 1973.
Nesta data, Londrina entrava para a história da medicina como a primeira cidade do interior do Paraná a fazer um transplante de rim. As equipes pioneiras nas áreas clínica era chefiada pelo nefrologista Altair Jacob Mocelin e na cirúrgica pelo urologista Lauro Brandina. A cirurgia durou três horas e 45 minutos e foi realizada no Hospital Universitário - cujo centro cirúrgico foi especialmente reformado, inclusive com aquisição de equipamentos -, com apoio de uma equipe médica de São Paulo e de profissionais da Santa Casa e Hospital Evangélico.
O pioneirismo da equipe médica projetou Londrina internacionalmente. A cidade virou centro de referência em tratamento de rim. Equipes médicas de inúmeras cidades do País foram treinadas em Londrina. Teses de doutorado, publicações científicas e revistas divulgaram a cirurgia. Ainda hoje a equipe recebe consultas de publicações internacionais e tem trabalhos citados em congressos no mundo todo.
Hoje, 28 anos e quase mil transplantes depois, Lauro Brandina diz que a maior contribuição da equipe pioneira foi provar que órgãos com pequenas anomalias poderiam ser usados em transplantes com sucesso. Este trabalho foi publicado em revistas científicas que continuam repercutindo no mundo todo.
Durante 20 anos, conta Brandina, a equipe médica atuou voluntariamente e anonimamente na retirada, preservação e destinação de órgãos para transplantes, até que este trabalho virasse lei e fossem criadas as centrais específicas. ''Sacrificamos datas importantes com a família'', lembra Brandina. Quando o órgão não servia para pacientes de Londrina, a equipe se mobilizava para encontrar um receptor em outro centro do País.
Neste período de trabalho voluntário, a consciência da população mudou, confere Brandina. ''Hoje o nosso problema são os profissionais de hospitais que, mal informados, descartam muitos órgãos que poderiam ser transplantados'', revela.
O primeiro paciente a se submeter ao transplante de rim, na cirurgia pioneira de Londrina, foi o serralheiro Egídio Ramazotti. Ele recebeu o rim doado pelo irmão, João. Aos 55 anos, Ramazotti aposentou-se e continua fazendo exames médicos periodicamente. ''Nunca mais tive problemas de rim'', diz com satisfação. O irmão dele também não teve complicações renais após a doação.
Na época da cirurgia, conta Ramazotti, os médicos explicaram que ele teria 30% de chances de sucesso se o doador fosse um cadáver, e 85% se fosse vivo. ''Eu confiei'', lembra. Seis meses depois do transplante, o serralheiro voltou ao trabalho com as funções renais completamente normalizadas. O irmão doador voltou ao trabalho de mecânico de máquinas pesadas 30 dias depois da cirurgia.





