Mesmo estando com dificuldades econômicas, o Hospital de Clínicas de Curitiba mantém um dos melhores serviços de transplante de medula óssea do mundo. Desde que foi criado, há 20 anos, o hospital já realizou 1.100 transplantes de medula óssea. Atualmente, são realizados dez transplantes por mês. O Hospital é também o único da América Latina a realizar transplantes em pacientes não aparentados, ou seja, de pacientes que não tenham qualquer parentesco com o doador. Por esta razão, além de pacientes brasileiros, o hospital atende ainda pessoas da Argentina, Paraguai, Chile, Uruguai e Venezuela.
Segundo o chefe do Serviço de Transplante de Medula Óssea do HC, Ricardo Pasquini, a demanda ainda é muito maior do que a capacidade dos hospitais brasileiros. Apenas um terço das pessoas que entram na fila são atendidas. ‘‘Acho que é necessária a criação de outros centros que façam este tipo de transplante para que as pessoas possam ser atendidas devidamente’’, diz.
Pasquini afirma que falta no Brasil uma política de transplantes, o que dificulta o financiamento dos procedimentos médicos. ‘‘A maior parte dos centros de transplante está nas universidades, que ajudam no custo para a manutenção da especialidade’’, alega.
O transplante de medula óssea é indicado nos casos em que a medula precisa ser repovoada, ou por estar vazia (como nos casos de anemia plástica) ou por ter uma população anormal de células (como leucemia). A substância é retirada de uma pessoa com as mesmas características do paciente, geralmente familiares (mesmo neste caso, a possibilidade de ter as mesmas características é de 25%). A recuperação é lenta, mas os pacientes ficam, em média, seis semanas internados no hospital.

mockup