A história do desenvolvimento comercial e industrial de Londrina não foi escrita a pé. E foi a visão empresarial de um grupo liderado por Harry Prochet, fundador da empresa Transparaná, que colocou rodas em todo o processo - e trouxe para o Brasil, através de Londrina, os famosos jipes Willys. De olho na alta produtividade do café na região, na qualidade do produto e preço competitivo, nascia em maio de 1947, a Transparaná.
‘‘Os sócios da empresa não eram aventureiros e isto fez da Transparaná mais que uma empresa de sucesso, mas um motor em prol do desenvolvimento econômico, cultural e social da cidade’’, analisa José Augusto Sandreschi, que presidiu a empresa de 1976 a 1990. A empresa surgiu com o apoio da American Coffe Corporation, departamento da Atlantic & Pacific Company - uma das maiores multinacionais no mundo naquela época.
O objetivo dos empresários era garantir que o café colhido no interior do Estado chegasse ao Porto de Paranaguá. A produção era exportada para os Estados Unidos da América, onde era beneficiado, processado e embalado pela American Coffe Corporation, passando a se chamar Eith O’ Clock - produto distribuido em toda a rede de supermercados da multinacional.
Posteriormente, Prochet foi o único sócio que resistiu à pressão do grupo estrangeiro que queria o fim da empresa, mantendo a Transparaná ativa. Sandreschi descreve Prochet como um homem decidido, capaz e convincente. E diz que, embora não tenha participado diretamente das diretorias da Acil, foi um dos que possibilitaram a sua concretização como entidade. ‘‘Ele participava de todas as discussões que diziam respeito a cidade, envolvendo-se diretamente na viabilização de projetos como a construção da Santa Casa’’, conta. Atuação que, garante Sandreschi, a empresa faz questão de manter até os dias de hoje.
Sem deixar escapar as oportunidades, ao longo de sua existência a Transparaná ajudou a abrir os caminhos do comércio e da industrialização da cidade e região. De tranportadora de café, a organização passou a distribuidora de veículos automotores, começando, em 1948, com a importação do Jeep Willys, único capaz de enfrentar as ‘‘picadas’’ que funcionavam como estradas na época.
Durante mais de 10 anos, afirma Sandreschi, o jipe foi o carro mais vendido pela empresa chegando a milhares de unidades comercializadas. ‘‘Nas ruas da cidade só se viam jipes’’, afirma. Inicialmente, o jipe era importado em partes e montado pela própria Transparaná, mas pouco tempo depois começou a ser fabricado no Brasil.
Do jipe para a distribuição dos tratores da Massey Ferguson, foi apenas uma questão de ‘‘tamanho’’. E, no ‘‘apogeu’’ da empresa, na década de 70, a Transparaná atuou também na fabricação e venda de máquinas agrícolas e no setor de siderurgia. Nesta época, a empresa chegou a gerar cerca de 3 mil empregos diretos e indiretos, a maioria deles em Londrina e região. ‘‘Trabalhar na Transparaná era considerada uma oportunidade de profissionalização. A empresa era vista como formadora de chefias e recursos humanos’’, comenta Sandreschi.

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