Transformação acelerada
PUBLICAÇÃO
domingo, 28 de outubro de 2012
Wilhan Santin<br>Especial para a FOLHA 
O censo demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 1970 mostrou que Londrina tinha 228 mil habitantes, dos quais 28% 64,5 mil pessoas moravam na zona rural.
Dez anos depois, em nova contagem do IBGE, a população total do município tinha aumentado para 301,7 mil habitantes. Mas na zona rural estavam apenas 34,7 mil pessoas, 11,5% do total. Em 2010, constatou-se que apenas 2,6% dos londrinenses 13.181 persistiam no campo.
Os dados históricos enumerados acima não são apenas coisa do passado. No caso da Zona Norte da cidade são fundamentais para a compreensão da atual efervescência da região e para pensar o futuro do lugar. É o que afirmam especialistas ouvidos pela FOLHA.
Professor de geografia econômica do departamento de Geologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e autor do livro Divisão do Trabalho & Circuitos da Economia Urbana (Eduel, 2011), Edilson Luis de Oliveira destaca que o fato de atualmente a Saul Elkind ser uma avenida com um conjunto de estabelecimentos comerciais, lojas de grandes redes, instituições bancárias e outros tipos de serviços é o resultado de um processo de transformação relativamente acelerado com a construção dos cinco conjuntos no final da década de 1970 e início da década de 1980.
A Saul é um exemplo de uma dinâmica de urbanização brasileira, que é única no mundo, com a transferência de homens e mulheres do campo para a cidade. A avenida começou com pequenos estabelecimentos comerciais, pois a população que por ali chegou era ativa, dinâmica, criativa e criou condições para atender às suas próprias necessidades e vencer o isolamento. Por fim, houve a globalização e a melhor distribuição de renda do brasileiro, fatos que contribuíram para o cenário atual, descreve o professor.
Sobre o futuro da região, Oliveira pontua que o cenário econômico será fator relevante. Sabemos que a Zona Norte de Londrina é importante para investidores dentro do contexto de ampliação do consumo que ocorreu no Brasil. Enquanto a condição econômica favorável perdurar, a região se concretizará cada vez mais como polo gerador de empregos e subcentro mais importante de Londrina, ficando atrás apenas do centro principal.



