TRANSCENDÊNCIA - Ex-metaleiros viram missionários cristãos
PUBLICAÇÃO
sábado, 07 de julho de 2007
Marco Bezzi<br>Agência Estado 
São Paulo Deus e o diabo sempre foram temas recorrentes na música popular. A incongruência entre os dois levou autores a, muitas vezes, escolher um ao outro. Se antes o diabo me usava, agora sou usado por Deus. A frase acima foi dita por Rodolfo Abrantes, ex-integrante das bandas Raimundos e Rodox, em entrevista recente.
Hoje, após lançar seu primeiro álbum solo, o cantor, que já bradou versos como Esporrei na Manivela, se diz salvo por Jesus. Ele, como o ex-metaleiro Marcos Motolo, também veste em sua pele diversas tatuagens e diz que nunca mais fará nenhuma.
Outro personagem, que passou por momentos de agonia durante mais de 20 anos, foi o maluco de plantão Catalau, ex-vocalista da banda de hard-rock Golpe de Estado.
Morador da praia de Boiçucanga, hoje o cantor transformou-se em pastor da igreja Bola de Neve do local. Eu passei dos 12 aos 38 anos loucão, usando drogas e bebendo todas, falou Catalau, enquanto andava pela praia.
Uma passagem encontrada no encarte do seu CD solo de 2005 (Jesus Está Voltando, Baratos Afins) atestava seus anos rebeldes. Dizia que Catalau acordava consumindo dois comprimidos Valium e fumando um baseado (o autor do texto, o dono da loja Baratos Afins, Luiz Calanca, disse que eram cinco, mas que ninguém acreditaria em tamanha quantidade).
Catalau era internado constantemente em clínicas de reabilitação para alcoólicos e drogados. Chegou a ser levado para os Estados Unidos, onde pensou que conseguiria apagar as drogas de seu sangue de uma vez por todas. Só fui achar o meu caminho no Centro de Recuperação Evangélica, falou.
Assim como Rodolfo, que quer apagar seu passado de vez, Catalau também não enxerga uma volta da formação original do Golpe de Estado. Voltar para quê? Dinheiro, fama? Quanto mais você tem, mais perigosa se torna a vida, justificou.


