Tranquilidade, lazer e história
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quinta-feira, 13 de março de 2008
André Amorim<br> Equipe da Folha 
São Lourenço de Brindisi, o Santo, era conhecido pela memória prodigiosa que muitos julgavam ser capaz de decorar a Bíblia inteira se necessário. São Lourenço, o bairro, também pode ser lembrado por seu papel na preservação da memória da capital paranaense. O parque de mesmo nome abriga a casa do artista plástico Erbo Stenzel, falecido em 1980, responsável por obras como as estátuas da Praça do 19 de Dezembro, conhecida como Praça do Homem Nu. Também é no parque que está localizado o Centro de Criatividade, que mantém algumas das máquinas de uma antiga fábrica de cola que funcionava no local onde hoje ocorrem diversas atividades artísticas e culturais.
Há quem diga que o tempo passa mais devagar na região, como o comerciante Luiz Carlos Barbosa, o Carlito, segundo o qual as mudanças parecem ocorrer mais lentamente ali do que nos outros bairros. ''Muitas famílias conservam as mesmas propriedades há décadas, então você vê vaca pastando, plantação de milho'', observa ele, que trabalha na região há 23 anos.
Talvez essa impressão se deva também à quantidade de áreas verdes presentes no bairro. Em 2000, enquanto a média de Curitiba era de 49 metros quadrados por habitante, o Lourenço dispunha de 87,28 metros quadrados, quase o dobro.
Esse aspecto bucólico reforça o clima de tranquilidade do bairro. Na opinião de Kátia da Silva, que veio do Rio de Janeiro há dois anos, esse é um dos diferenciais mais atraentes da região. Acostumada à turbulência urbana da capital fluminense, ela se sente segura em deixar o filho Davi, de 2 anos, brincando no parque. ''Até que por ter bastante comércio é bem tranquilo'', avalia a moradora.
O São Lourenço concentra uma das melhores rendas de Curitiba. Segundo o censo de 2000, o rendimento médio dos moradores do bairro é de 7,95 salários mínimos, enquanto a média da cidade é de 4,64 salários. A presença de casas e condomínios de alto padrão vai ao encontro desses dados. A boa condição econômica dos moradores também se reflete no consumo. Segundo Rubem Lorem, que possui uma banca de revistas em frente ao parque São Lourenço, seus clientes têm o hábito de ler e estão sempre em busca de informações. ''A gente vê que é uma faixa econômica melhor'', avalia.
Apesar dessas características, não faltam opções econômicas para pessoas de todas as faixas sociais. No Centro de Criatividade do Parque, existem diversas oficinas isentas de custo e outros cursos com preços bastante acessíveis, variando entre R$ 30 e R$ 120 mensais.


