Tragédias - Enchentes, epidemias e acidentes estão na memória nacional
Agência Estado
Na memória dos brasileiros, as grandes tragédias estão ligadas aos acidentes, como o do Fokker 100 da TAM, que caiu na vila paulistana de Santa Catarina em 30 de outubro de 1996, matando 102 pessoas. Como também o naufrágio do Bateau Mouche 4, no reveillon de 89, quando 55 morreram na Baía da Guanabara, e o incêndio do Edifício Joelma, o pior desastre do gênero em São Paulo, que fez 188 mortos em fevereiro de 74. Mas o Brasil enfrentou ao longo do século uma série de outros episódios bem mais trágicos quanto à perda de vidas humanas.
O País viu muito mais mortandade na epidemia de meningite em 1974, quando foram registrados pelo menos 1,5 mil óbitos. Segundo o International Disaster Database, que reúne dados brasileiros a partir de 1948, este episódio lidera o ranking nacional. Chuvas, enchentes e deslizamentos causaram centenas de outras mortes e foram as tragédias mais frequentes, segundo os dados da Universidade de Louvain, na Bélgica, do Escritório dos Estados Unidos para Assistência a Desastres, das Nações Unidas e dos arquivos da mídia.
Em fevereiro de 1967, chuvas e deslizamentos no então estado da Guanabara mataram nada menos que 400 pessoas. Um ano antes, em janeiro de 66, outras 373 haviam sucumbido nas mesmas circunstâncias, conforme dados do bureau norteamericano. Seriam o segundo e terceiro maiores desastres do País neste século, não fosse pela nebulosa divergência em torno do número de vítimas fatais na explosão da Vila Socó, em Cubatão (SP), na madrugada de 25 de fevereiro de 1984.
Arquivo Folha
Drama: Césio 137 em Goiânia
Arquivo AE
Queda do Fokker 100, em São Paulo: voluntários observam corpos recolhidos dos destroços do avião da Tam que caiu logo após decolar do aeroporto de Congonhas no dia 30 de outubro de 1996, matando 102 pessoas no pior acidente da aviação comercial brasileira
Oficialmente, 99 morreram quando 2,5 mil barracos foram incinerados na favela construída sobre um oleoduto da Petrobrás, de onde vazou o combustível da tragédia. Mas o laudo do Instituto Médico Legal (IML) de Cubatão atestava a morte de 508 pessoas, tese defendida pelos promotores que iniciaram as investigações. O laudo foi bombardeado pelas autoridades e pela Petrobrás, responsabilizada pelas mortes e ameaçada de perdas fantásticas com indenizações.
Acabou prevalecendo a versão oficial, depois de uma repentina retratação do IML, mas os organismos internacionais não viram motivos para alterar o número. Nem tampouco os estudiosos de desastres deixam de cravar os 508 mortos ao se referirem à tragédia da Vila Socó. Levando-se em conta esse histórico, o ranking brasileiro revela em segundo lugar o impressionante desaparecimento de uma favela sob chamas de mil graus centígrados.
Outras duas grandes tragédias despontam nesta lista. Uma delas chocou o País: o incêndio do Gran Circo Norte Americano, em Niterói (RJ), em dezembro de 1961. Centenas assistiam ao espetáculo, quando Adilson Marcelino Alves que a imprensa da época qualificou como um desocupado conhecido por Dequinha resolveu atear fogo à lona. O pânico e as chamas mataram 323 pessoas.
Em setembro de 81, cerca de 350 pessoas morreram no Rio Amazonas, o naufrágio do barco Sobral Santos II, um daqueles ônibus amazônicos que transportam cargas e pessoas em condições de alto risco. Havia pelo menos 550 a bordo. Outro acidente do gênero havia ocorrido em janeiro daquele ano no Rio Jari, perto de Macapá, com 230 mortes.
Mas houve uma tragédia com bem poucos mortos que se notabilizou no mundo inteiro. Apenas quatro pessoas perderam a vida sob a radiação do Césio 137 em Goiânia, em setembro de 87, mas o impacto do episódio foi estrondoso. A história dos catadores de papel que retiraram a cápsula de um equipamento de radioterapia abandonado ficou registrada como o maior acidente radiológico já visto no planeta.





