Londrina é ocupada e vive com pressa, a manhã anuncia mais um dia na avenida que não dorme. Por causa de seu trabalho, o mototaxista, Oswaldo Cavalari, conhece a avenida em todas as suas horas. Ele acha que ''a Leste-Oeste é prostituição, e o tráfico de drogas é intenso. Na minha opinião a Avenida Saul Elkind (Zona Norte) é mil vezes melhor em termos de segurança''.
Na altura do Centro, ela é reduto máximo do povo, pelo Terminal Urbano o mar de gente deságua na Leste-Oeste. O morador mais antigo tem comércio no mesmo ponto. ''Estou aqui há mais de trinta anos'', diz o comerciante Luis Nobo. ''O lugar que sempre me deu sustento, hoje me deixa inseguro. Tem esse bando de cheiradores de cola e eles ficam acampados embaixo da marquise do Pronto Atendimento Infantil (PAI)'', revela o comerciante.
Segundo a gerente do Pronto Atendimento Infantil, Vera Mendes dos Santos, o problema é delicado, pois os garotos que perambulam por ali, são resistentes a qualquer tipo de ajuda. ''Todas as vezes que os garotos de rua são vistos próximos a marquise do hospital, nós acionamos o programa Sinal Verde'', diz a gerente do PAI.
O frentista de posto de gasolina Wagner José Pereira, 23 anos, atarefado para dar conta do intenso movimento também se incomoda com os drogados que vivem ali. Segundo Wagner, a turma é composta por mais de 30 jovens. ''Os assaltos acontecem nos pontos de ônibus'', observa o frentista.
O Programa Municipal Sinal Verde, que trabalha com moradores de rua, informa que o grupo vem sendo atendido pela área de assistência social e saúde: ''Muitos já foram reinseridos socialmente, outros perderam os vínculos familiares, em função do uso de álcool e outras drogas e resistem ao encaminhamento social'', argumenta Sandra Coelho, gerente do Programa Sinal Verde da Secretaria de Assistência Social.
No meio do caos urbano tem gente solidária e feliz, como a mais antiga moradora da Leste-Oeste, Edwirges Vieira Lopes Ventura. Conhecida entre os comerciantes como dona Du. Há 22 anos, ela mora ali com seu marido e filho, nos fundos de uma lanchonete, de onde hoje tira o seu sustento. ''O melhor da Leste-Oeste são as amizades. Nunca fui assaltada, e esses cheiradores de cola cresceram aqui, eu conheço essa meninada desde pequenininhos e, por isso, eles não me perturbam, o problema é que eles se perderam nas drogas e na bebida, assaltam o pessoal que passa e ninguém dá jeito nisso, os assistentes sociais da prefeitura estão todo dia aqui e a polícia também, mas eles querem mesmo é essa vida aí, fazer o quê?'', arremata dona Du.
Ela conta ainda que, quando se mudou para a Leste-Oeste, o nome ainda era Rua Acre e o trem passava na frente da sua casa. ''Onde hoje é a creche tinha a linha do trem e as casas dos funcionários da ferrovia, o mato era alto e para subir até o centro, a gente tinha de abrir caminho na marra para passar ali'', lembra.(M.A.)

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