Tradição renovada
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 03 de julho de 2008
Omar Godoy<br> Equipe da Folha 
Timidez e discrição são alguns dos termos usados pelo pastor Marcos Antonio para definir a postura dos luteranos. Um dos líderes da Comunidade do Redentor, o mais antigo grupo evangélico de Curitiba, ele também destaca a preocupação em equilibrar tradição e modernidade. ''Estamos sempre abertos para o novo, mas tomamos cuidado com os modismos'', afirma.
Isso talvez ajude a explicar a história da Igreja do Redentor, no bairro São Franciso. Discreto como seus fiéis, o templo em estilo gótico é um daqueles pontos da cidade que passam desapercebidos aos olhos dos curitibanos. No entanto, trata-se de um monumento fundamental para a compreensão do impacto da imigração por aqui.
Construída por alemães e inaugurada em 1894, a igreja teve sua última reforma realizada há 42 anos. Ao longo desse tempo, cupins e infiltrações tomaram conta da estrutura, o que exigiu um trabalho de reforma e revitalização do espaço. Orçado em R$ 900 mil, o projeto contou com recursos da Lei Rouanet e levou um ano e meio para ser concluído.
A reinaguração acontece hoje, às 20 horas, com a apresentação de uma orquestra formada por membros e amigos da comunidade. No domingo, às 10 horas, será realizada uma cerimônia de reconsagração. ''A revitalização não surgiu de nenhuma efeméride. Foi por pura necessidade'', justifica o pastor Celso Misfeldt.
O projeto, assinado pela arquiteta Alice Drefeyn, compreende a reforma do campanário e do forro superior, a correção de infiltrações e a melhoria da acústica no interior da igreja. Lustres, vitrais e a grande cruz de madeira presente no altar também foram trocados. De quebra, o templo ganhou um novo órgão de tubos, construído com material alemão. ''A maior preocupação foi respeitar o conceito original do espaço'', garante Alice.
Em busca do frio
A trajetória da Comunidade do Redentor se confunde com a dos imigrantes alemães na cidade. De acordo com o pastor Misfeldt, a maioria não se adaptou ao clima mais quente da região de Joinville e, a partir de 1829, subiu até Curitiba. Já na década de 50 daquele século, o número de luteranos era tão grande que um pastor de Santa Catarina teve de ser ''importado'' para atender os fiéis.
A primeira comunidade oficial da cidade foi fundada em 1866, junto com uma escola. Vinte e oito anos depois, era inagurada a Igreja do Redentor. Atualmente, o grupo conta com cerca de 2.500 membros. Mas há outros 25 núcleos luteranos de correntes diversas espalhados por Curitiba e Região Metropolitana, que contabilizam quase 15 mil fiéis.
Inicialmente uma igreja étnica, o luteranismo teve de se adaptar à vida brasileira após a Segunda Guerra Mundial. Um processo contínuo e gradual, como explica o pastor Marcos Antonio. ''Hoje em dia, os cultos da manhã seguem uma linha mais histórica, baseada na liturgia tradicional. Já os da noite são mais informais, num estilo brasileiro, com muita música e a participação de jovens''.
Mas, afinal, o que é ser luterano em 2008? ''O grande desafio é não fugir da realidade. Pelo contrário. A igreja deve dar orientação para que os membros sejam instrumentos de transformação dentro dessa realidade'', conclui o pastor.
SERVIÇO
Reinauguração do Templo da Comunidade do Redentor
Hoje, às 20 horas, e domingo, às 10 horas, na esquina das ruas Trajano Reis e Presidente Carlos Cavalcanti, no bairro São Francisco.
Informações: www.comunidadedoredentor.com.br.


