Foram os italianos que trouxeram a primeira muda de vime para o Paraná, em 1878. Durante o governo de Lamenha Lins, foi incentivada a vinda dos vênetos para o estado. Entre os imigrantes estava Andreas Bartapelle, que trouxe na bagagem a planta e a técnica para confeccionar móveis e cestos com ela.
Este conhecimento passou de pai para filho e chegou até os dias de hoje. O artesão Armando Túlio, 61 anos, neto de Bartapelle, manteve na família a tradição do artesanato em vime. Hoje ele administra uma pequena fábrica de móveis e cestos fundada por seu pai em 1926, no bairro de Santa Felicidade, em Curitiba.
Todo o trabalho da Móveis Túlio é feito manualmente. ''Já tentamos fazer produção em série, mas não durou, pois o trabalho depende da criatividade de cada artesão'', diz Armando. Segundo ele, existem milhares de descendentes de italianos em Curitiba e Campo Magro que produzem peças em vime. No entanto, a falta de intercâmbio entre eles impede que consigam atingir volume suficiente para exportar seus produtos. Além disso, a concorência de artigos similares vindos da Malásia, Indonésia e Filipinas - a um preço muito inferior - dificulta a entrada do artesanato paranaense no mercado internacional. ''Nosso produto tem qualidade e não é feito com trabalho escravo'', argumenta.
Apesar das dificuldades, Armando já mandou seu artesanato para a Finlândia e para a Nova Zelândia, mas de maneira informal, através de interesses pontuais de turistas. A senda artesanal da família Túlio chega à terceira geração no Paraná. O filho de Armando, Fábio Eduardo Túlio, de 36 anos, será seu sucessor na administração da fábrica. (A.A.)

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