Do salsichão ao cafezinho. A Mercearia Tupanci, no Bigorrilho, atende há 33 anos a freguesia de um dos bairros mais antigos da cidade. Nas esquinas das ruas Frederico Cantarelli e Euclides da Cunha, a mercearia foi fundada pelo casal Suely e Arlindo Colucci. Os dois vieram do Rio Grande do Sul para Curitiba com o intuito de trabalhar. No Bigorrilho, eles compraram uma casa e montaram a mercearia. ''A idéia do meu marido era que meus filhos nos ajudassem na mercearia. Tínhamos que incentivá-los a trabalhar desde cedo. Abrimos pensando num serviço para as crianças'', disse ela.
O casal e o filho mais velho atendiam os moradores do bairro diariamente. O filho morreu há seis meses. O marido, Arlindo, não pode se levantar e se movimentar como antes por conta de dois derrames. Mas Suely não perde a alegria. ''Minhas meninas me ajudam. O movimento é bom. Não é como antes, quando tudo aqui era mato e não tinha comércio por perto. Nem os prédios. O nome ainda era Bigorrilho e todos adoravam morar aqui. Não dá para se queixar'', contou. Hoje, o Bigorrilho também é conhecido pelo nome comercial de Champagnat.
Suely diz que o melhor é que não tem apenas fregueses. Ela fez amigos. ''Eu acho que é o atendimento que faz a diferença'', confessou ela. Ali, ela vende de tudo: carvão, refrigerantes, pipocas. Do lado de fora, mesinhas para que as pessoas possam sentar e conversar. ''Aqui vendo de tudo. Jornal, docinhos antigos com gosto de infância, amendoim'', disse ela. Depois de 50 anos de casada, Suely comemora a vinda para Curitiba. Toda a família ainda está em Porto Alegre. Mas aqui, ela diz que tem suas filhas e os amigos que fez com a venda. (L.P.)

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