Tradição e elegância nos 70 anos do Country
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quinta-feira, 16 de outubro de 1997
Fabiano Camargo 
Marcelo AlmeidaGuilherme Guedes Pereira, um dos pesquisadores que trabalha no projeto, conta que a avalição dos candidatos a sócio é uma tradiçãoFormado pela união de duas sociedades de origem germânica, o Curitiba Golf Club e o Graciosa Tenis Club, em 14 de julho de 1927, o Graciosa Country Club se transformou no clube mais fechado da cidade, conhecido por ter um quadro de sócios que concentra boa parte do PIB curitibano. Com os aristocráticos esportes do tênis e golf como atividades principais no início, que até hoje são os mais praticados no clube, no decorrer dos tempos teve associados de grande destaque na vida econômica e política do estado. Também foi palco para algumas das festas mais concorridas dos anos dourados.
Estas e outras histórias fazem parte de um projeto que o publicitário Cesar Stellfeld Mansani está promovendo para resgatar a memória do Graciosa. O resultado da pesquisa vai ser lançado em livro, vídeo e CD Rom, dentro de um trabalho que está para ser aprovado pela comissão da Lei Rouanet, que facilita a obtenção de patrocínios - o custo é de R$ 450 mil.
Arquivo do clubeRegistro da tacada que inaugurou o campo de golfe e o próprio Graciosa, em 1927: o esporte é um dos mais praticados pelos associados
Neto de um dos sócios fundadores do clube, Mansani diz que se inspirou na falta de um material organizado sobre a história do Graciosa. O clube é um dos mais tradicionais, além disso teve e tem como sócios pessoas importantes na sociedade, política e economia paranaense, como por exemplo o ex-governador Bento Munhoz da Rocha. Isso ressalta a importância do projeto, acredita Mansani. Sabe-se que muitas decisões importantes para o Paraná no âmbito político ou empresarial foram tomadas em conversas no interior do Graciosa.
As pesquisas vem sendo feitas com consultas às antigas atas do clube, coleta de material em acervos particulares e entrevistas com sócios e membros de diretorias antigas. Este processo vem sendo coordenado pelo engenheiro civil e ex-membro da diretoria do clube Guilherme Guedes Pereira. O trabalho dele retrata a participação de famílias tradicionais da cidade na fundação do Graciosa, como os Mueller, Hauer, Iwersen e Leão. Muitas histórias levantadas retratam um pouco do comportamento social da cidade. O clube promovia os bailes mais famosos da cidade até os anos 60, que eram os do reveillon, de Carnaval e da Aleluia, além do Bal Masqué (baile de máscaras, em francês), lembra. Eram tão concorridos que tinham sócios que compravam títulos apenas para poder frequentá-los.
A clássica fachada do Country mantém os traços do projeto original, desenhado em 1926 pelo engenheiro Dieter Pinow com inspiração do estilo suíço
A fama dos bailes é explicada pelo status de clube fechado e por reunir boa parte da elite da sociedade. Muita gente nunca frequenta o clube, se associou para poder dizer que é sócio. Hoje, com o crescimento e diversificação da sociedade, isso mudou muito, mas teve épocas em que ser sócio do Country abria portas em qualquer atividade civil, diz Guedes.
Fundado prioritariamente como clube de golfe e tenis, o Graciosa contribuiu muito para o desenvolvimento destes esportes na cidade. Foi também o primeiro clube a inaugurar uma piscina, em 1938. A pesquisa documenta ainda a passagem de algumas personalidades nacionais e internacionais pelo clube, como o cartunista Walt Disney, o político João Pessoa e a Miss Brasil Marta Rocha.


