Também musicalmente, Curitiba caracteriza-se mais pela variedade dos sons do que por uma sonoridade própria, de acordo com músicos da cidade. Alexandre Nero, integrante do grupo Fato por dez anos, lembra que na busca por uma sonoridade local o grupo acabou incorporando os tamancos do fandango paranaense às suas músicas, som que não é caractetística exclusiva da Capital.
Para ele, a produção curitibana ainda carece de uma sonoridade própria. ''A música de Curitiba tenta buscar essa identidade na literatura. A literatura de Curitiba tem uma identidade e a canção tenta se apossar disso, porque a música em si não tem identidade nenhuma. Não temos musicalmente nem sonoramente algo que seja exclusivo daqui'', observa o músico.
Para Nero, o que define a sonoridade de Curitiba é a diversidade. ''É muito mais parabólica do que apoiada em raízes. Se existe uma característica é não ter característica'', conclui.
Para Caio Marques, da banda Bad Folks, os músicos curitibanos são tradicionalistas. ''Buscam muito sonoridades do passado. O som é muito calcado na produção dos anos 60 e 70. É uma produção que não olha muito para o futuro. Falta um pouco de experimentação'', avalia.
Tanto Marques quanto Nero citam as bandas Maxixe Machine e Charme Chulo como exemplos da busca por inovação, mas ressaltam que isso não é uma constante em Curitiba. ''Não é o principal foco da produção'', explica Marques.
Embora a sonoridade local esteja mais voltada ao passado, Marques lembra que isso não é uma característica negativa. ''Gosto muito das bandas daqui. Têm tanta qualidade quanto qualquer outra banda do Brasil'', defende. (D.R.)

mockup