Tradição e diversidade na avenida
A tradição e a diversidade dividirão o espaço da avenida Cândido de Abreu no primeiro dia de Carnaval deste ano. Escolas de samba tradicionais, como o Rancho das Flores; agremiações evangélicas, como o Jesus Bom a Beça e o Bloco da Diversidade, formado por gays lésbicas e transgêneros, estarão presentes na festa que leva a marca da participação popular.
O trabalho das escolas está quase pronto, mas a última semana costuma ser tensa para os carnavalescos. Dona Eudina Prestes, 81 anos, costurou todas as fantasias da Embaixadores da Alegria este ano e continua à todo vapor. O motor desta senhora é o amor pela escola. Foi neste ambiente que cresceram seus filhos, seus netos e o bisneto de nove anos, que neste Carnaval vai desfilar na bateria.
Ela afirma que não teve descanso desde que começou a produção, mas não reclama. Tudo que eu faço aqui é gostoso, diz. Tamanha dedicação vai lhe valer uma homenagem da escola no ano que vem.
Além de costurar, Eudina desfila na ala das baianas. Este ano a carnavalesca terá nova companhia na avenida, um grupo que sempre esteve presente no Carnaval, mas de maneira pouco visível, discriminada. Trata-se do Bloco da Diversidade, promovido pelo Grupo Dignidade, uma organização não-governamental que defende os direitos dos homossexuais.
Para debutar na avenida, este bloco conta com o apoio do carnavalesco carioca Márcio Marins, 34, que trouxe a experiênca de desfiles em grandes escolas do Rio de Janeiro. Ele preparou seis alas, uma para cada cor da bandeira da diversidade humana. Segundo ele, o Carnaval de Curitiba leva a marca da resistência Quem se propõe a fazer Carnaval, faz somente por amor e isso é uma vitória, observa. (A.A.)





