Tradição dos mesmos é antiga no Paraná
A falta de partidos estruturados, o comodismo, o modelo de personalização dos cargos do Executivo são alguns dos motivos que levam os eleitores a votarem sempre nos mesmos modelos para as vagas majoritárias. O cientista político Másimo Bella Justina, da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Paraná, explicou que a causa deste tipo de comportamento não é única. ''São vários fatores que levam ao comportamento coletivo de não apostar em grandes mundanças. Começa pela fraqueza dos partidos políticos. Vota-se hoje na pessoa e não no partido. As pessoas que conseguem destaque social são sempre ligadas a grupos econômicos, que se mantém no Poder de geração em geração.''
Três modelos de políticos se perpetuam no Poder: os carismáticos (ligados a uma pessoa pelo carisma, pela simpatia), os tradicionais (modelo patriarcal de administração, normalmente gerenciado por pessoas de posse, fazendeiros e empresários) e o modelo legal (baseado na burocracia do aparato jurídico). ''Você pode me perguntar porque algumas famílias ficam anos no Poder, de geração em geração. Eu respondo: porque elas detém o Poder Econômico ou o Poder Ideológico - que se produz através da mídia como instrumento de informação. São os chamados detentores do Poder'', explica Bella Justina.
Via de regra, diz o cientista, os eleitores não procuram votar na proposta do partido, nem conhecem os manifestos e os programas internos. ''Algumas vezes, o político que se elege pelo poder é uma pessoa de caráter e faz mudanças. Mas o que temos que discutir é a mudança que precisa ser feita com a fidelidade partidária e o voto distrital misto - a partir de uma reforma política. Os eleitos não podem ser predadores da sociedade e hoje, nada é feito contra isso. Não dá para apenas votar no que era prefeito antes porque já conhecemos ele e o atual não está dando conta de consertar os problemas. Senão, vamos estar passando uma pintura nova numa parede com infiltração e a parede mancha de novo'', exemplifica. (L.P.)





