Tradição curitibana
A história do Verde Batel remonta a uma época mais ingênua. Em 1983, quando foi inaugurado, a Avenida do Batel era o "point" da juventude curitibana. E o surgimento de um drive-in bem no meio dessa movimentação mudou os hábitos dos casais de namorados.
Uma lanchonete, no Capanema já servia lanches no carro à noite. Mas não havia privacidade para se namorar, lembra Roberto, um engenheiro que abriu o serv-car em sociedade com o irmão, então recém-chegado de uma temporada num garimpo do Pará.
Apesar da boa localização, o lugar só pegou para valer graças a uma parceria com uma emissora de rádio, que buscava um público mais jovem. "Para você ter uma ideia, a programação do domingo à tarde era transmitida ao vivo do Verde Batel", conta.
Quando o dono de uma churrascaria fez uma oferta melhor para os proprietários do terreno, o drive-in foi obrigado a se mudar. Sua última parada foi o bairro das Mercês, onde funciona há nove anos. Ali, um terreno de 3.600 metros quadrados oferece capacidade para receber 90 carros - no esquema tradicional, sem boxes ou lonas.
"Preferimos deixar assim. Nosso conceito é mais de namoro, de romance. Senão vira motel, e aí podemos ter problemas com a saúde pública e a polícia", diz o empresário. O que explica, talvez, o receio de outros proprietários em se identificar. De qualquer forma, existe uma licença da prefeitura específica para os serv-cars.
Para Roberto, espaços centrais e em grandes áreas, como o do Verde Batel, estão em vias de extinção por conta do boom imobiliário. "Onde você vai encontrar um lugar como esse, a um preço acessível, hoje em dia? É por isso que o negócio está crescendo na periferia", afirma o engenheiro, dono de outro drive-in, não muito longe dali. (O.G.)





