Tradição
Marcos Coelho Benjamin, 56, é dos artistas mais jovens cujas obras ocupam a Simões de Assis Galeria de Arte. Na casa com ares europeus, construída em 1935 e localizada no Batel, não há espaço para iniciantes no campo das artes. "Gosto de ter a certeza que o artista já está no seu caminho", define o marchand Waldir Simões de Assis Filho, 54.
Aos 29 anos ainda trabalhava em um escritório de arquitetura quando convidado por Gilberto Chateaubriand, um dos maiores colecionadores do País, participou de um evento no Museu de Arte de São Paulo em que conheceu artistas como Tomie Ohtake e Arcangelo Ianelli. Já gostava de viajar, visitar museus e utilizar objetos de arte na decoração dos espaços de seus clientes. Motivado pelo encontro em São Paulo, abriu a sua galeria em 1984.
No seu escritório tem três quadros de Cícero Dias, o pintor mais importante que representa. Dentre os que a sua galeria tem representação exclusiva, ainda destaca-se o catarinense Juarez Machado. "O critério de exclusividade nos permite trabalhar melhor o artista, com a produção de catálogos, livros.", diz. "Quem não é visto também não é lembrado." Waldir ainda aponta as possibilidades de um contato mais próximo e até mesmo proteger melhor e ter o cuidado de catalogar toda a obra do artista como outras vantagens. Tal como a Casa da Imagem, Waldir criou uma editora para lançar livros e catálogos. Em seu caso, busca fazê-lo através de leis de incentivo.
Para julho, quando sua galeria comemora 25 anos, está preparando uma exposição com uma série de pinturas dos castelos e vinhedos de Bordeaux feita por Juarez Machado exclusivamente para o evento - que deverá fazer parte das comemorações do ano da França no Brasil.
"Curitiba sempre foi tranquilo, mas não é o grande mercado. O maior é São Paulo, mas em função da exclusividade, tenho clientes em Santa Catarina, Rio, Nordeste..." Questionado sobre o mercado de arte em Curitiba, é enfático. "Se não existisse pessoas adquirindo obras importantes na cidade, não estaríamos aqui." Waldir acredita que o mercado local está crescendo e absorvendo mais arte contemporânea.
Ao compasso que vê um processo de profissionalização nas galerias, reclama de pintores paranaenses que recebem seus clientes nos próprios ateliês, deixando de lado as galerias. "O cuidado do galerista vai além do museológico. Ele faz a ponte do artista com o público consumidor." (R.U.)





