De grão em grão a galinha enche o papo. É pensando dessa forma que um exército silencioso tem feito milagres a favor do meio ambiente. Atuando de forma isolada, mas organizada, imbuídas das melhores intenções e de uma dose cavalar de boa vontade, muitas pessoas vêm dando uma contribuição magnífica em favor de boas práticas ambientais.
  É o caso, em Londrina, de Sérgio de Souza, o Sérgio Cabeleireiro, que há 40 anos atende em seu salão na rua Belém, no coração da histórica Vila Casoni. É um incansável lutador contra as queimadas urbanas. Munido de um pequeno panfleto impresso em xerox e de muita sola de sapato, trabalha em toda a zona leste da cidade pela redução das fumaças.
  ‘‘O povo é muito bom, mas não tem informação. Então, quando vejo uma queimada, eu explico o mal que ela causa. Eles entendem e até agradecem. Mais de 90% param com as queimadas’’, garante Sérgio, que já distribuiu mais de cinco mil panfletos desde que conheceu os males causados pelas queimadas.
  Com seu material de conscientização e boa prosa, Sérgio convence os vizinhos, pouco a pouco, a abandonar a ideia de queimar lixo, galhos, folhas e todo resto de resíduos que se encontram em residências e terrenos baldios.
  ‘‘A fumaça faz muito mal para as pessoas, especialmente às crianças e idosos. Ela também atrapalha a camada de ozônio. Quem queima lixo transforma um problema individual num problema de todos’’, afirma, lembrando: ‘‘Um dia encontrei um homem que me disse assim: eu queimo sim, o terreno é meu. Aí eu perguntei para ele como faz para segurar a fumaça só no terreno dele. Ele acabou admitindo o erro.‘‘
  Sérgio já é tão conhecido no Conjunto Lindóia, Parque das Indústrias e adjacências que algumas vezes é convocado quando amigos e vizinhos encontram alguém queimando lixo. ‘‘No começo, me sentia uma formiguinha no oceano. Hoje, já formei dois voluntários que me ajudam em outros bairros‘‘. Ele diz que, nos bairros em que mais atua, o problema das queimadas já foi praticamente contornado.

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