Trabalhe em casa
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 01 de agosto de 2018
Amanda de Santa<br>Especial para a Folha 

A flexibilidade do local de trabalho para o exercício de diversas atividades é uma tendência que veio para ficar. Mas realizar as tarefas profissionais de casa exige alguns cuidados. O primeiro deles é ter um espaço adequado, que garanta conforto, ergonomia e boa luminosidade. Pegar o notebook e sentar-se no sofá da sala está fora de cogitação. Vale a pena procurar a ajuda de um profissional para planejar o home office e personalizar o próprio escritório.
O arquiteto Leonardo Sturion diz que o espaço pode ser planejado em um cômodo, como um quarto, ou estar integrado à sala e até mesmo ser instalado em uma área de circulação do imóvel. A escolha dependerá das necessidades particulares de cada profissional e do ambiente que ele tem disponível para adaptar. Quando o home office é planejado ainda no projeto arquitetônico, a flexibilidade é maior. Mas a adaptação também é possível depois do imóvel pronto.
No caso de famílias, Sturion diz que o mais comum é que o escritório fique em um cômodo fechado, para garantir privacidade. Normalmente, além de área de trabalho, o ambiente também é usado como quarto de hóspedes. Já os solteiros ou casais sem filhos têm preferido integrar o home office com outros ambientes da casa, como a sala. Neste caso, é importante que os materiais e a marcenaria escolhidos estejam em sintonia com o restante da decoração.

Os itens básicos para ter um home office é uma bancada e uma cadeira confortável. Quando o espaço é reduzido, o ideal é fazer a marcenaria sob medida. Em ambientes maiores e mais versáteis, é possível optar por mobiliário pronto. Segundo o arquiteto, uma alternativa é o uso de cavaletes com tampo de madeira ou vidro. A vantagem é que o móvel permite regular a altura de acordo com a necessidade de uso.
O material mais utilizado nos projetos de home office é o MDF, que oferece vários tipos de acabamentos, cores e texturas, é resistente e de fácil manutenção. Mas também é possível trabalhar com a pintura em laca, vidro e superfícies com placas de couro. O arquiteto observa, porém, que estes materiais exigem cuidados especiais. A laca é frágil e pode riscar, o vidro fica marcado com o contato das mãos e o suor e o couro pode ficar feio dependendo da forma e frequência de utilização.

A ergonomia deve ser levada em conta na hora de projetar a altura da bancada e escolher a cadeira de trabalho. Leonardo Sturion diz que o ideal é que a mesa tenha entre 72 e 73 centímetros de altura para uso de notebook. "É importante escolher uma boa cadeira, que seja regulável não só na altura, mas também na lombar e apoio dos braços. Para quem passa muitas horas trabalhando, isso evitará problemas de saúde no futuro", orienta.
O conforto térmico, visual e acústico também são muito importantes. O arquiteto explica que o ideal é fazer o máximo aproveitamento da luz natural. "Procuramos posicionar a bancada de frente ou no máximo ao lado da janela, nunca de costas", explica. Luminárias reguláveis para concentração de foco não excluem uma boa iluminação geral da área de trabalho. Cortinas ou persianas e tapetes melhoram a acústica e a qualidade do ambiente, além de oferecer conforto. "A preocupação vai muito além da estética", enfatiza.


