Filhos, marido e trabalho. A química obtida pela combinação destes três elementos traz um sério efeito colateral na mulher: o grande sentimento de culpa por deixar a casa em prol da complementação orçamentária ou em busca da realização profissional. No consultório da psicóloga e sexóloga Devanira Domingues já passaram muitas mulheres carregando este sentimento. E todas ouviram o mesmo conselho. ‘‘O importante não é a quantidade do tempo que a mulher passa no núcleo familiar, mas a qualidade’’. Ela reconhece que nos primeiros meses de vida, quando o bebê é amamentado, a presença da mãe é fundamental para a formação da matriz da personalidade. Mas após este momento, a família se adapta à jornada de trabalho sem grandes danos.
Na opinião de Devanira Domingues, a saída da mulher para o mercado de trabalho causou na família uma mudança para melhor. ‘‘A família melhora no aspecto do relacionamento. Só o trabalho doméstico é estressante e estreita a visão de mundo’’, justifica. ‘‘Trabalhando fora, a mãe traz o aprendizado para dentro de casa e compartilha com os outros’’. Além disso, a psicóloga comenta que não só o pai, mas também a mãe tornam-se modelos profissionais para os filhos. ‘‘E quer modelo mais doloroso do que uma mulher infeliz dentro de casa?’’.

mockup