Os efeitos dos constantes desmatamentos ocorridos na região de Taquarituba, no interior paulista, foram sentidos pelos 22 mil habitantes do município em 2013, quando um tornado destruiu todo o setor industrial da cidade e deixou dois mortos, 64 feridos, 250 enfermos, cinco desabrigados e 300 desalojados. Naquele 22 de setembro, os ventos que atingiram a velocidade de cerca de 130 quilômetros por hora, não duraram mais do que três minutos, mas afetaram 11 mil pessoas que tiveram suas casas ou empresas devastadas. Os ventos destruíram também imóveis públicos, entre eles um ginásio de esportes, o terminal rodoviário e algumas escolas. "Deus foi muito bom com a gente porque esse tornado foi no domingo, às 14h30, quando o parque industrial estava praticamente sem ninguém, a não ser com vigilantes", diz o prefeito à época, Miderson Zanello Milléo. Ele relatou a experiência durante sua participação como painelista do 9º EncontrosFolha.

Uma das pessoas mortas estava em um ônibus que foi arrastado ao ser atingido na lateral pela forte ventania e só parou após chocar-se contra um obstáculo. O outro óbito foi de uma pessoa degolada por uma folha de telha usada na cobertura do ginásio de esportes e que foi arrancada pela força do tornado.

O levantamento dos estragos aponta 36 indústrias com perdas de 10% a 90%, além de 800 residências total ou parcialmente destruídas. Um conjunto habitacional que estava em construção foi devastado. O cálculo dos prejuízos somam quase R$ 47,5 milhões, sendo R$ 40 milhões na indústria e R$ 7 milhões na agricultura. A cidade ficou sem água, luz, telefone e internet. No dia seguinte, o município decretou estado de calamidade pública. Para a reconstrução, o município teve apoio dos governos federal e estadual, de entidades civis organizadas, igrejas, maçonaria e da população de Taquarituba e de outros municípios vizinhos. Ele acredita que os constantes desmatamentos na região de Taquarituba tenham colaborado para a formação do tornado. "Isso está começando a se tornar comum e vai se tornar comum se não tomarmos as medidas necessárias. Se não houver alguma ação, as coisas serão irreversíveis", afirma Milléo. "Nosso parque industrial foi totalmente reconstruído, mas essas 36 indústrias têm um financiamento a pagar pelos próximos dez anos", destaca.

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