‘‘O quê que eu estou fazendo aqui???’’. Por mais que se esteja preparado, é quase impossível que a pergunta não pipoque na sua cabeça quando, do alto da plataforma, você olha para baixo e vê que os quarenta metros que o separam do chão parecem a diferença entre a vida e a morte. Ainda sem responder à pergunta inicial, você abre os braços e deixa o corpo cair para frente: o resto é com a força da gravidade. Nos rápidos segundos que seguem, seu corpo e mente, encharcados de adrenalina, experimentam sensações que vão do pânico ao êxtase. Assim é o bungee jump, um dos esportes mais radicais já inventados.
Toda a emoção do bungee jump está conquistando um grande número de adeptos em Curitiba. Inaugurada há duas semanas, a Planet Jump, primeira empresa especializada na atividade no estado, vem funcionando a todo vapor. Neste curto período de atividade, mais de 400 saltos foram realizados - e isso com tempo chuvoso e um preço longe de ser popular (R$ 30,00).
A febre é explicada pelas fortes emoções que o bungee jump proporciona. O salto dura pouco mais que um minuto - depois do primeiro pulo, o elástico estica e na volta joga a pessoa para cima mais duas vezes - mas o que se vivencia neste curto espaço de tempo nem décadas serão capazes de fazer esquecer. A primeira imagem que marca é a do chão chegando, cercada pela expectativa de quando a queda irá parar. Depois, a corda elástica entra em ação e a pessoa que salta sentirá na pele como é ser um iô-iô.
Pode parecer difícil tomar a iniciativa de experimentar a brincaderia, mas quem decide acaba indo até o final, como conta Francisco Franco, um dos proprietários do Planet Jump. Até o último final de semana, apenas quatro desistências tinham sido registradas: três homems ‘‘amarelaram’’ - já com a gaiola em cima - e uma menina desmaiou logo na subida. ‘‘Quando o pessoal decide, geralmente vai até o fim. Mas as meninas parecem mais decididas’’, conta Franco. ‘‘Hoje, a maioria é masculina: 70%. Mas pelo jeito a frequência vai ficar equilibrada’’.
Para garantir a segurança dos ‘‘jumpers’’, foi adotada uma série de cuidados. Um colchão de ar de 3,5 metros de altura, 7 de largura e 10 de comprimento foi instalado abaixo da plataforma de lançamento. Os saltadores não chegam a cair em cima do equipamento inflável: ele só está ali preventivamente. Importadas, as cordas são feitas com feixes de elástico e fitas de nylon. O sistema faz com que elas funcionem como molas que vão sendo esticadas gradualmente (existem cordas para cada faixa de peso).
Assim, o usuário não sofre nenhum solavanco, o que poderia causar lesões. A vida útil de cada corda é de 1.100 saltos. Como um terceiro sistema de segurança, uma corda de nylon é presa num cinto de alpinismo que os saltadores devem vestir. Todas estas medidas, segundo o proprietário da Planet Jump, fazem dos saltos de bungee jump um vôo seguro. ‘‘O Corpo de Bombeiros fez uma vistoria e aprovou tudo’’, completa.
A maioria dos que saltaram aprovou o esporte. ‘‘Nunca senti nada igual. Só indo para saber como 钒, diz o vendedor Nilson Gevaerd Junior, 19 anos. Medo? A estudante Elisângela Leal, 20, conta que é impossível não sentir, e é aí que está a graça: ‘‘Faz parte, mas é tão gostoso que você logo esquece’’. Para o produtor Cláudio Santos, os efeitos da brincadeira vão longe. ‘‘Meus padrões sobre perigo e medo mudaram totalmente’’.
Serviço: Planet Jump (Marumby Expo Center - Av. Wenceslau Braz, 1046). Preço: R$ 30,00 (salto com a corda presa nos pés) e R$ 25,00 (corda na cintura). Com mais R$ 15,00, pode-se ter o salto gravado em vídeo, numa fita que traz ainda cenas de saltos profissionais (Tape by Tape Vídeo). Horário de funcionamento: de terça a sexta-feira, das 16 às 22 horas; sábados e domingos, das 10 horas até o último cliente. Cardíacos e hipertensos não devem saltar. Menores de 16 anos, só com autorização paterna.

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