Também chamado ‘‘Véio Toco’’, Carlos José Melo, 77 anos, trabalhou na Folha vinte anos, de 1955 a 1975. Fazia ‘‘de tudo’’ na Oficina, onde era o paginador principal e ensinou muitos a trabalhar (Edigar, Leitão, Mineiro, Coxinha, Sapo, Bagaço). Ele foi paginador, revisor, calandrista, chefe eventual da Oficina. Até ‘‘fazia’’ editoriais, ‘‘de uma maneira que seria melhor nem recordar’’. Ele lembra: ‘‘Às vezes me mandavam preencher o espaço do Editorial. Eu procurava um jornal antigo e mandava copiar um editorial que coincidisse com alguma coisa que estivesse acontecendo, e pronto...’’
Na Oficina trabalhavam, entre outros, além de Carlos Toco, Álvaro Grotti, Reinaldinho. Só na paginação: Carlos, Reinaldinho, Leitão; depois entrou o Mineiro. Com exceção de Álvaro, que chegou (do ‘‘Paraná Jornal’’) sabendo, e era linotipista, Carlos ensinou paginação a todos.
Toco aprendera a trabalhar, ainda menino, com o pai, Sebastião de Melo Cesar, que instalou uma gráfica em Londrina em 1939. Sebastião fazia um jornal, ‘‘A Fronteira’’, em Itaporanga (SP). A família era do ramo. Tanto que em Londrina Sebastião instalou a ‘‘primeira livraria digna desse nome’’, a Livraria Cesar, na esquina da Avenida Paraná com João Cândido. Carlos teve dois irmãos trabalhando na Folha: Sebastião de Oliveira Cesar, o Tito, era redator e repórter. Tito é advogado e foi vereador em Londrina; e Juarez de Oliveira Cesar (falecido), também advogado, que foi repórter e redator. Carlos lembra que Tito foi quem criou a seção Ronda pela Cidade.
Carlos Toco trabalhou no primeiro jornal da cidade, ‘‘Diário de Londrina’’, e em ‘‘O Correio do Norte’’, de Otávio Teles Maia, que era inspetor de ensino no Norte do Paraná. O jornal, fundado em 46, durou um ano. Tinha quatro páginas e era impresso em gráfica própria. Naturalmente, era também feito à mão. Tinha o título vermelho. Ele se recorda ainda do meteórico ‘‘Correio do Sul’’, do matogrossense Antônio Cafaro, que Carlos fazia em sua gráfica, em 45. O sogro de Cafaro tinha a ‘‘Folha do Sul’’, em Aquidauna.
Quando Carlos entrou na Folha, o jornal não tinha gráfica própria; apenas montava as páginas, no dedo, e imprimia na Gráfica Oliveira, na Rua Mato Grosso, ou na gráfica de Ciro Ibirá de Barros (Acre), que foi depois assessor do governador Bento Munhoz da Rocha Neto e prefeito de Ibiporã.
Daquele tempo, ele recorda que a turma da Oficina parava quando não saía o vale semanal, em dinheiro. ‘‘Não era raro Milanez estar duro’’. Em compensação, muitas vezes o Patrão dava ordem pra comprar mantimentos na Casa Paulo. Carlos uma vez queria comprar uma geladeira, que o Patrão mandou comprar em seu nome, a crédito. Nunca o valor foi descontado do salário do empregado. O mesmo aconteceu com um fogão. Em contrapartida, Carlos não fazia cara feia para o serviço: ‘‘Tinha dia que eu paginava, calandrava, revisava. Entrava no serviço às oito horas da noite, saía no dia seguinte à tarde’’.
‘‘Milanez foi um touro. Ele ia atrás do pessoal que não ia trabalhar; muitas noites cochilava num balcão da oficina, pra não deixar a turma ir embora. Às vezes, quando o Patrão chegava à oficina, Carlos estava sozinho, sem jantar. Milanez mandava alguém buscar um lanche, geralmente bife com pão e um guaraná.
E porque o apelido de Carlos Toco? Uma vez um certo catarinense, o Bregueço, foi trabalhar na Oficina. Ficou admirado com o ritmo de trabalho do Carlos e comentou: ‘‘Eu chego aqui de manhã, você está. Chego à noite, você está aqui. Parece que nem sai do lugar, igual um toco...’’ Ficou o apelido: ‘‘Véio Toco.’’

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