Tocar o sino do colégio era o desejo dos estudantes
Falar da época dos estudos no Colégio Mãe de Deus para o médico Lincoln Brasil e Silva é como se recordar de fantásticas histórias, das que não se escuta nos dias de hoje. Silva estudou no colégio na década de 40, época em que ainda estudavam meninos. Para ele, as lembranças daquele tempo são muito boas, assim como foram boas as amizades que fez e que manteve por muito tempo em sua vida.
''Uma coisa que me lembro muito bem é de quando eu estava aprendendo a recortar papéizinhos coloridos. Também me recordo dos dois pátios, onde meninos ficavam de um lado e meninas do outro. E as árvores da época, tinha muita Santa Bárbara'', lembra Silva.
Hoje, Silva está com 72 anos. Mesmo com o passar do tempo, ele diz que os momentos vividos no Mãe de Deus trazem para ele, muita alegria. ''A cidade estava começando, não tinha nada, só mato e o cemitério que ficava lá no fundo. Uma vez, eu e um amigo vimos um bicho muito feio no meio do mato. Morrendo de medo, fomos falar para as irmãs. Contamos que era um bicho estranho, sem rabo nem focinho. Daí a irmã deu risada e disse para não nos preocuparmos porque o bicho que tínhamos visto era só uma anta''.
Muito peralta, como ele mesmo diz, Silva nunca era chamado para tocar o sino. Naquela época, as irmãs convocavam os alunos mais disciplinados para tocar o sino no início da aula e também na hora do intervalo. Aula de música era uma das preferidas do médico. A lancheira de couro proporcionava bons momentos da hora do lanche, e na hora de rezar, ele confessa que não gostava muito não.
Mas, entre uma lembrança e outra, Silva conta que teve um fato em especial que o faz rir muito até hoje. Ele lembra que, no dia de sua primeira comunhão, foi falar para seu pai que tinha que se vestir de branco, mas o pai não gostou da idéia. ''Ele falava pra mim: por que de branco? Você não é nenhum anjo! Não vai de branco não. Até hoje tenho a foto. Todos de branco e eu, igual um urubuzinho, o único de preto''.
Mas, assim como a maioria dos alunos que passaram pelo Colégio Mãe de Deus, Silva também acredita que a educação recebida pelas irmãs contribuíram para sua formação profissional e pessoal. Na década de 90, num momento em que Silva viajava de navio para a Alemanha, ele conta que avistou a cidade de Schoenstatt, terra do fundador Padre José Kentenich (fundador da obra internacional de Schoenstatt). ''Naquele momento era como se meu passado estivesse passando por mim. Depois, no meu consultório, escrevi uma carta para as irmãs contanto o que tinha sentido naquele momento. Sinto muito carinho pelo Mãe de Deus e torço para que o colégio só cresça''.(F.B.)





