TIRE SUAS DÚVIDAS
Não importa qual o tamanho da convicção com que as pessoas apresentam as próprias opiniões sobre o Referendo do dia 23 de outubro. Todas, invariavelmente, expõem dúvidas e questionamentos. Veja, nesta enquete, quais são as perguntas mais comuns, e que ainda não ganharam a devida atenção pelas frentes que defendem os dois lados do comércio
de armas
Minha maior dúvida foi sanada há pouco tempo e dizia respeito ao porte de armas, caso o Sim vença no Referendo. Quem vai poder ter armas?
Francisco Amaro, jornalista, 51 anos
O jornalista tocou num dos mais obscuros pontos sobre o referendo. Recentemente, a campanha pelo Sim veiculou, no horário televisivo gratuito, explicações sobre quem poderia ter acesso a uma arma, caso o comércio seja proibido. No entanto, a frente contrária argumentou que as informações seriam mentirosas e que inclusive a propaganda teria sido retirada do ar. A reportagem da Folha constatou, no entanto, que tais informações continuaram a integrar a campanha pelo Sim, enquanto a frente pelo Não diz que Tribunal Superior Eleitoral (TSE) teria proibido a veiculação destes dados. Até o momento, nenhuma das frentes esclareceu como vai ficar o acesso às armas, caso o Sim vença.
O governo parece estar fazendo uma campanha em favor do Sim, mas não esclarece se vai intensificar o combate à criminalidade e ao contrabando de armas. Se isso não acontecer, de nada vai adiantar desarmar a população.
Ana Gonçalves, pensionista, 64 anos
Segundo Beatriz Cruz, da ONG Sou da Paz, proibir o comércio de armas no País não é uma ação isolada do Estado contra a violência. Uma ação não anula a outra. Lutamos contra a venda de armas, mas também cobramos do Estado uma ação mais efetiva contra o tráfico, o contrabando e a violência. A proibição da venda de armas é só o primeiro de uma série de passos, afirma.
As pessoas de bem já estão desarmadas. De que adianta proibir a venda no Brasil, se os bandidos não compram armas em lojas?
Sérgio Pegoraro, vigilante, 28 anos
Um dos argumentos mais utilizados pela Frente do Sim diz repeito à forma como a criminalidade tem acesso às armas de fogo. Segundo o delegado-chefe da Polícia Civil de Londrina, Jurandir Gonçalves André, mais da metade do armamento nas mãos de bandidos são provenientes de assaltos realizados a casas de pessoas de bem, que mantinham armas legais. A proibição da venda vai, em tese, dificultar este acesso.
A proibição vai fazer com que as armas desapareçam do País? Vai ser uma medida eficiente no combate à criminalidade? Edna Cristina Pegoraro, cabeleireira, 36 anos
Segundo informações da Polícia Federal e da Polícia Civil, não é possível fazer uma estimativa sobre uma provável redução no número de mortes por armas de fogo. Esta dedução é feita com base no argumento de que a proibição da venda vai dificultar, para o bandido, o acesso a maior fonte de fornecimento de armas para a criminalidade, que é o armamento legal nas mãos de pessoas de bem. As armas, com certeza, não vão desaparecer do meio social: o contrabando e a corrupção na própria polícia vão se encarregar de mantê-las entre nós.





