Tietagem juvenil exige imposição de limites
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domingo, 04 de dezembro de 2005
Vera Fiori<br> Agência Estado 
São Paulo - Vamos lá. Atire a primeira pedra o pai ou a mãe que nunca fez uma loucura por seus ídolos, como se espremer entre garotas histéricas para arrancar um fio de cabelo do então cabeludo Ronnie Von, ligar para o amigo do amigo do amigo para conseguir o telefone do rei da Jovem Guarda, torrar a mesada nos discos, pôsteres e souvenirs dos Beatles ou pagar o maior mico ao invadir o palco para dançar twist com a Rita Pavone. Queeeeeem? Adolescente é tudo igual, só mudam os ídolos.
Decorar o quarto com pôsteres, colecionar ingressos de shows, montar um clipping com fotos e reportagens da banda favorita, saber de cor e salteado o prato favorito daquele jogador de futebol lindo de morrer... Até aí tudo bem, faz parte da adolescência.
O problema é quando os limites do bom senso são extrapolados, a ponto de interferir na rotina e no comportamento do jovem, como sair por aí vestido igual ao esquisitão do Marylin Mason, pesadelo de qualquer pai, ou expor-se a riscos.
Em 2000, um bom exemplo. Fãs do grupo Back Street Boys acamparam durante dias no Anhembi, local do show, sob condições mínimas de conforto e segurança. Aliás, no livro ''Tudo por um Pop Star'' (Editora Rocco), a autora Thalita Gonçalves trata o tema com humor e, por meio das personagens teens Manu, Gabi e Ritinha, convida a galera a refletir sobre os riscos de mentir para os pais e se meter em enrascadas, como dormir na porta de hotel onde está hospedada a banda de rock.
Depois da publicação do livro, Thalita conta que recebeu e-mails de duas leitoras, como a fã de Sandy que ficou oito horas dentro de uma caixa, aguardando para ser descoberta pela cantora o que não aconteceu e ela quase morreu sufocada. A outra fã arranjou um display (uma réplica de papelão, em tamanho natural) da cantora Marina Lima e comprou duas passagens de ônibus São Paulo-Curitiba: uma para ela e outra para a imagem da cantora, que viajou ao seu lado.
Heróis de hoje - Segundo Ana Cristina Olmos, psicanalista de crianças e adolescentes, quando os jovens escolhem seus ídolos, optam pelos valores e atitudes presentes nos ''heróis'' de hoje. Por exemplo: a rebeldia, a extravagância, o consumismo exagerado das cantoras tipo patricinhas, como as do grupo Rouge. Já Os Racionais, continua ela, conquistaram uma legião de fãs, representados nas suas letras superinteligentes, que retratam com ritmo e alma a injustiça, a exclusão de parte significativa da juventude.
No psiquismo infantil, há modelos de adultos pais, professores e outros heróis com os quais a criança se identifica. Por isso, os adultos influenciam decisivamente no comportamento dos filhos, alunos e também dos fãs.


